Líderes de empresas dizem que não é viável ter um negócio com zero emissões

Dois terços dos executivos seniores inquiridos pela Standard Chartered a nível global acreditam que não é viável comercialmente, neste momento, gerir um negócio com zero emissões. O inquérito, realizado junto de 250 líderes empresariais, mostra que 77% das companhias tem dificuldades em justificar a perda de receitas certas provenientes de um modelo de negócio com resultados comprovados em troca de um retorno incerto no futuro.

“As empresas também duvidam que o trabalho necessário para a transição das suas organizações compensará”, aponta o mesmo relatório, intitulado “Zeronomics”. Reportado pela agência Reuters, revela que 62% dos inquiridos considera que os benefícios esperados da transição para um negócio baixo em carbono não superam os custos associados.

Embora haja pressão por parte dos investidores para que as empresas estejam prontas para avançar com práticas mais amigas do ambiente, nem todas as organizações estão confiantes nesta mudança de direção – mesmo que a reformulação dos processos seja também exigida pelos próprios governos através de novas leis.

Os líderes empresariais inquiridos apontam como principais dificuldades as barreiras financeiras, mas também a necessidade de melhores sistemas de medição e avaliação, por exemplo. Os executivos adiantam que provas dos benefícios em termos de custos, maior pressão por parte de parceiros e investidores e uma política de impostos eficaz seriam ferramentas importantes para acelerar a transição.

A Standard Chartered sublinha que as empresas olham apenas para o curto prazo e que não estão dispostas, para já, a contemplar as vantagens e a importância desta mudança no futuro. Um inquérito de outra consultora revela que os mandatos de curta duração dos líderes poderão justificar, em parte, esta tendência.


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