Líderes da oposição da Ucrânia descartam ideia de eleições em tempo de guerra apesar da pressão dos EUA

Donald Trump chegou mesmo a considerar Volodymyr Zelensky um “ditador” por se manter no poder sem eleições – uma ideia, aliás, há muito defendida pelo Kremlin

Francisco Laranjeira
Março 6, 2025
16:36

Os líderes da oposição na Ucrânia descartaram a ideia da realização de eleições em tempo de guerra, indicou esta quinta-feira a agência ‘Reuters’, depois de diversos órgãos de comunicação social terem avançado os contactos com responsáveis da Administração Trump para se avançar para um ato eleitoral.

Recorde-se que Donald Trump chegou mesmo a considerar Volodymyr Zelensky um “ditador” por se manter no poder sem eleições – uma ideia, aliás, há muito defendida pelo Kremlin.

O ex-presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko [entre 2014 e 2019], garantiu que a sua equipa estava a trabalhar com “parceiros” para manter o apoio à Ucrânia, acrescentando que se opõe a uma eleição em tempo de guerra. Numa publicação na plataforma ‘Telegram’, o responsável político defendeu que as eleições só devem ocorrer depois de ter sido estabelecida a paz, salientando que qualquer votação deveria ocorrer o mais tardar 180 dias após o final da guerra.

Já Yuliia Tymoshenko, outra líder da oposição, disse que a sua equipa “está a conversar com todos os nossos aliados que podem ajudar a garantir uma paz o mais rápido possível”, sendo que as eleições não deveriam ocorrer antes que isso fosse alcançado.

De acordo com o jornal ‘POLITICO’, quatro membros seniores da Administração Trump tiveram discussões com alguns dos principais oponentes políticos de Zelensky. As negociações foram realizadas com Tymoshenko e membros seniores do partido de Poroshenko, e centraram-se em saber se a Ucrânia poderia ter eleições presidenciais rápidas.

Moscovo, que invadiu a Ucrânia há três anos, afirma que Zelensky é ilegítimo porque o seu mandato de cinco anos acabou em 2024. Mas, de acordo com a lei ucraniana, as eleições não podem ser realizadas em tempo de guerra. No entanto, o presidente ucraniano já se ofereceu para desocupar o seu lugar em troca da paz e a entrada na NATO.

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