Líder do Japão acusa China de querer mudar o status quo “pela força ou coação”

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, acusou hoje a China de querer “mudar o status quo pela força ou coerção” nas áreas marítimas sobre as quais disputa soberania com os seus vizinhos.

Executive Digest com Lusa

A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, acusou hoje a China de querer “mudar o status quo pela força ou coerção” nas áreas marítimas sobre as quais disputa soberania com os seus vizinhos.


Pequim “está a intensificar as suas tentativas de alterar unilateralmente o status quo através da força ou da coerção no mar do Leste da China e no mar do Sul da China, ao mesmo tempo que expande e reforça as suas atividades militares nas áreas que rodeiam o nosso país”, disse a líder ultraconservadora, no parlamento.


Fazendo eco do seu antecessor, Shigeru Ishiba, Takaichi afirmou ainda que o Japão enfrenta “o ambiente de segurança mais sério e complexo” desde a Segunda Guerra Mundial, citando não só a China, mas também a Rússia e a Coreia do Norte.


Depois de Takaichi se ter tornado a primeira mulher a liderar o Governo do Japão, em outubro, Tóquio tem registado um aumento acentuado das tensões diplomáticas com Pequim.


Em novembro, Takaichi sugeriu que o Japão poderia intervir militarmente em caso de ataque a Taiwan, ilha cuja soberania Pequim reivindica e que não descarta retomar pela força.

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As declarações provocaram imediatamente a ira da China, que retaliou aconselhando os cidadãos a não viajarem para o Japão, reforçando os controlos comerciais e realizando exercícios aéreos conjuntos com a Rússia.


“A política consistente do nosso governo é promover uma relação mutuamente benéfica com a China, baseada em interesses estratégicos partilhados, e construir uma relação construtiva e estável”, afirmou hoje Takaichi.


“Dado o importante papel da China como vizinha e as muitas questões e desafios pendentes, continuaremos o nosso diálogo e responderemos com calma e ponderação, de acordo com os nossos interesses nacionais”, acrescentou.

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No entanto, Takaichi indicou que pretende rever os três principais documentos da política de defesa do Japão este ano, porque “as mudanças no ambiente de segurança, como o surgimento de novas formas de guerra e a necessidade de se preparar para conflitos prolongados, estão a acelerar em muitas áreas”.


A primeira-ministra acrescentou que espera agilizar as discussões para um maior relaxamento do embargo japonês à exportação de armas letais.


“Isto ajudará a fortalecer as capacidades de dissuasão e de resposta dos nossos aliados e parceiros com ideias semelhantes, ao mesmo tempo que consolidará a base de produção de defesa do Japão e a sua base de tecnologias civis”, argumentou.


Takaichi já tinha anunciado no Outono que desejava acelerar o aumento das despesas militares do país, para que atingissem a meta de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional dois anos antes do previsto.


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