O líder do grupo de extrema-direita Resistência Nacional, Nuno Cardoso, pertence ao Chega. A garantia foi dada pelo próprio à revista ‘Sábado’, tendo até acrescentado que já teria sido convidado para “organizar a concelhia [do partido] na Covilhã”.
Nuno Cardoso, que já pertenceu à Nova Ordem Social (NOS), movimento nacionalista já extinto e que foi liderado por Mário Machado, admite que foi um dos vinte participantes na denominada “parada Ku Klux Klan” em frente à sede da associação SOS Racismo, em Lisboa, na noite de 8 de agosto.
Sobre o e-mail enviado em nome da Nova Ordem de Avis/Resistência Nacional a dez dirigentes de esquerda e da luta anti-racista, entre eles Mamadou Ba, ou as deputadas Mariana Mortágua, Beatriz Gomes Dias e Joacine Katar Moreira, garante que a Resistência Nacional “não tem nada a ver com as ameaças, nem com o NOA. Nunca teremos um comportamento belicista, nunca faremos ações dessa maneira.”
Recorde-se que, na semana passada, três deputadas e sete ativistas foram alvo de ameaças por uma autoproclamada “Nova Ordem de Avis – Resistência Nacional”, que reivindicou também uma ação junto à associação SOS Racismo, levando o Governo a condenar estas ações como “uma ameaça à própria democracia” que deve indignar “todos os democratas”.
Na quinta-feira, o Ministério Público instaurou um inquérito-crime ao assunto, um dia depois de o dirigente da SOS Racismo Mamadou Ba ter prestado declarações na Polícia Judiciária e ter confirmado a receção, juntamente com mais nove pessoas, de uma mensagem de correio eletrónico a estipular o prazo de 48 horas para abandonar o país.
O Presidente da República recomendou aos democratas “tolerância zero” e “sensatez” para combater o racismo, ao comentar as ameaças.
Vários partidos, bem como o presidente da Assembleia da República, repudiaram as ameaças feitas aos ativistas e à associação.
Na sequência das ameaças de morte feitas a 10 pessoas, a Polícia Judiciária a investigar o caso.
Segundo a ‘Sábado’, a suspeita inicial da autoria das ameaças recai sobre quem assina os emails: os micromovimentos Resistência Nacional (RN) e Nova Ordem de Avis (NOA), ambos criados em julho.
O RN é liderado por três dissidentes da extinta Nova Ordem Social (NOS), grupo neonazi de Mário Machado, e aglomerou entre 50 a 60 membros de vários partidos, como o Chega e o PNR (entretanto, Ergue-te), e de fragmentos de outros micromovimentos nacionalistas, apurou a SÁBADO.
A publicação contactou o RN que garantiu que o movimento “não tem nada a ver com as ameaças [por email], nem com o NOA”.




