Libra segue em queda acentuada após anúncio de medidas com corte de impostos

A libra aproximava-se hoje do mínimo histórico face ao dólar, após o Governo britânico ter anunciado medidas orçamentais que levam os investidores a inquietar-se com a saúde das finanças do Estado, face aos sinais de recessão.

Com o dólar a beneficiar da resistência da economia norte-americana e do seu estatuto de valor refúgio, a libra afundava 2,01% para 1,1034 dólares às 12:35 (em Lisboa) após ter chegado a 1,1021 dólares, um nível que não tinha sido atingido desde 1985, ano do valor mais baixo, 1,0520 dólares.

O Governo britânico anunciou hoje uma série de cortes nos impostos para tentar estimular a economia e deixar para trás um “ciclo de estagnação” numa altura em que o país sofre com a inflação e está prestes a entrar em recessão.

 A redução de impostos junta-se a um pacote anunciado nas últimas semanas para congelar os preços da energia doméstica para famílias e empresas, que está previsto custar 60.000 milhões de libras (68.700 milhões de euros) nos próximos seis meses.

“A libra esterlina está em perigo”, afirmou George Saravelos, analista do Deutsche Bank, assinalando que a libra cai, apesar do aumento dos juros da dívida britânica, “o que é muito raro numa economia desenvolvida”.

“Estamos preocupados ao ver que a confiança dos investidores no Reino Unido está a diminuir rapidamente”, acrescentou, citado pela AFP.

A economia britânica tem mostrado sinais de enfraquecimento: o Banco da Inglaterra e o índice PMI de atividade do setor privado preveem uma recessão já no terceiro trimestre.

A queda vertiginosa da libra quase ofuscou a descida do euro, que perdia 0,86% face ao dólar (para 0,9752 dólares) e atingiu o valor mais baixo desde 2002 (0,9737 dólares).

Desde o início do euro, o euro perdeu 14% face ao dólar e a libra 18%.

Diretamente afetadas pela subida dos preços do gás desde o início da guerra na Ucrânia, as economias europeias acumulam sinais de fragilidade.

Na zona euro, o recuo da atividade económica no setor privado acelerou em setembro, segundo o índice PMI.

Esta situação afasta os investidores do euro e da libra, apesar da subida das taxas de juro pelos bancos centrais.

Pelo contrário, “os Estados Unidos estão numa posição única, com uma inflação elevada e um crescimento mais persistente, o que quer dizer que a Reserva Federal norte-americana (Fed) tem mais razões e meios para subir rapidamente as taxas de juro”, segundo Mark Haefele, analista da UBS.

Na quinta-feira, o Banco do Japão, que manteve as suas taxas de juro, fez uma intervenção no mercado de divisas para travar a depreciação do iene.

A intervenção teve lugar depois de o dólar ter chegado a valer 145,90 ienes, um máximo de 24 anos.

Essa intervenção travou a descida, mas hoje a moeda nipónica registava um recuo de 0,40% em relação ao dia anterior, com o dólar a valer 142,97 ienes.

O dólar registou uma valorização de mais de 20% face ao iene desde o início do ano.

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