Libertação das reservas de petróleo dos EUA pode “provocar excesso de oferta”, diz analista

O Presidente dos Estados Unidos (EUA) ordenou a libertação de um milhão de barris de petróleo por dia da reserva estratégica do país, durante seis meses, numa tentativa de controlar os preços da energia, anunciou hoje a Casa Branca.

Mariana da Silva Godinho

O Presidente dos Estados Unidos (EUA) ordenou a libertação de um milhão de barris de petróleo por dia da reserva estratégica do país, durante seis meses, numa tentativa de controlar os preços da energia, anunciou hoje a Casa Branca.

Segundo a mesma nota, citada pela Associated Press (AP), Joe Biden também pedirá ao Congresso que imponha penalizações financeiras às empresas de petróleo e gás que arrendam terras públicas, mas não estão a produzir.



“Esta medida poderá provocar um excesso de oferta de petróleo no mercado e que deverá ter impacto sobre os preços da matéria-prima”, diz Henrique Tomé, da XTB, em declarações à ‘Executive Digest’.

Mesmo antes de ter sido implementada, os preços do petróleo da sessão desta quinta-feira registaram logo quedas superiores a 4% em reação, explica o analista. Neste momento, o Brent desce 3,3% para 107,73 dólares e o West Texas Intermediate (WTI) perde 3,9% para 103,59 dólares.

O analista acrescenta ainda que estas medidas podem atenuar e controlar o aumento dos preços do petróleo no curto prazo, mas “a intervenção da OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] continua a ser o principal driver para o mercado petrolífero”.

Também esta quinta-feira, a OPEP e os 10 aliados, incluindo a Rússia, confirmaram vai entrar em vigor um aumento da oferta de petróleo de 432.000 barris por dia em maio, como planeado em julho de 2021.

Sobre a possibilidade do fornecimento de petróleo à Europa destas reservas dos EUA que serão libertadas, Henrique Tomé interpretou pela queda dos preços do Brent que a medida pode ser também uma alternativa para o continente vizinho.

“No entanto, colocam-se alguns entraves à viabilidade desta ação devido aos problemas logísticos e eventuais custos acrescidos no transporte das mercadorias”, acrescenta o analista.

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