Leilões de arte online atraem novos compradores: ‘Millennials’ ricos salvam setor pressionado pela pandemia

Os jovens Millennial interessaram-se sobretudo por licitações virtuais em arte contemporânea, relógios de luxo e vinho.

Sónia Bexiga

A casa de leilões Sotheby’s diz que a geração Millenial ajudou a a atividade a “manter-se à tona da água” no primeiro semestre deste ano, já que a pandemia obrigou a que todos os leilões se realizassem online, noticia o ‘Wall Street Journal’.

Os números mais recentes da prestigiada leiloeira mostram que esta geração Millennial (nascidos entre 1981 e 1996) representa hoje mais de 30% da sua clientela e ajudou a gerar um volume de vendas online recorde de 285 milhões de dólares (cerca de 242 milhões de euros) nos primeiros sete meses deste ano, ou seja, o triplo do total de vendas online de todo o ano de 2019.

Segundo anunciou a casa de leilões, esta segunda-feira, as vendas em leilões físicos e online atingiram, no referido semestre, cerca de 1,9 mil milhões de dólares, o que representa uma queda de 30,4% em relação ao período homólogo do ano anterior, mas ainda assim acima das previsões já avançadas pelos analistas.

Os jovens Millennial interessaram-se sobretudo por licitações virtuais em arte contemporânea, relógios de luxo e vinho.

A Sotheby’s registou uma descida de 25,3% nas vendas de arte este ano, mas observa que o declínio teria sido muito pior se não fosse o aumento nos licitantes mais jovens.

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O setor já evidencia a captação da atenção de muitos jovens licitantes, especialmente quando estão ligados a personalidades populares, como a recente venda de ténis do basquetebolista Michael Jordan na Sotheby’s. A casa de leilões também fez parceria com a Prada para leiloar itens da coleção outono/inverno 2020 da casa de moda para ajudar a arrecadar dinheiro para projetos educacionais da UNESCO.

Em paralelo, também as plataformas de arte online, como a Artsy, viram o sey negócio florescer, relatando um aumento massivo no tráfego do site. Em declarações ao ‘Business Insider’, o CEO da Artsy, Mike Steib, afirmou que em abril o site registou um aumento de 200% nas vendas, acrescentando que as feiras de arte online têm hoje “20 vezes mais tráfego” do que tinham no período pré-pandemia.

“Há uma nova geração de compradores emergentes. Nos próximos 10 anos, muitos milhões de dólares em riqueza nos EUA serão herdados por um público millennial e digital-nativo”, sublinhou Steib.

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“As pessoas costumavam passear pelo SoHo, ir de galeria em galeria; costumavam andar de jato e ir de feira de arte em feira de arte”, continuou Steib mas agora “o dinheiro está com uma nova geração que nunca comprou nada dessa forma e que quando vê algo que adora na internet, clica num botão e torna-se assim seu proprietário”, rematou.

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