Lisboa, Porto, Braga, Setúbal e Aveiro são responsáveis por 142 dos 230 deputados que virão a ser eleitos nas próximas eleições legislativas, agendadas para 18 de maio, revelou esta quinta-feira o ‘Diário de Notícias’, razão pela qual os partidos dão especial atenção às listas de candidatos nos cinco principais círculos eleitorais, onde pequenas variações percentuais significam ganhar ou perder assentos no Parlamento.
A representatividade do ato eleitoral é polémica desde 1976: 1,5 milhões de portugueses votam em apenas quatro deputados: dois pela Europa e outros dois pelo círculo Fora da Europa. “É o problema da máquina calculadora dos partidos, em particular PS e PSD, que começam logo a fazer contas de perdas e ganhos”, apontou Manuel Monteiro, ex-líder do CDS. “Uma lógica com 48 anos, uma lei eleitoral que pouco ou nada se alterou desde 1979, um receio velho e antiquado, desajustado há muitos anos da realidade, de que mudar possa alterar a verdade dos resultados”, apontou.
Em 1976, os círculos além-fronteiras tinham pouco mais de 105 mil eleitores: a partir de 2011, o número disparou – em 2022, 1,521 milhões de recenseados; em 2024, 1,546 milhões; este ano, 1,584 milhões de portugueses aptos para votar. O Círculo da Europa soma quase 945 mil eleitores, em 22 círculos eleitorais, e é apenas ultrapassado por Lisboa e Porto – a diferença é que as duas principais cidades do país elegem 88 deputados, ao passo que o Círculo da Europa escolhe apenas dois.
O mesmo cenário para o Círculo Fora da Europa, só ultrapassado por Aveiro, Braga, Setúbal, Lisboa e Porto no número de eleitores: Aveiro, com 642 mil eleitores, elege 16 deputados – os 636 mil portugueses fora da Europa são representados por dois deputados.
“A representatividade das comunidades é ridícula”, apontou Nathalie Oliveira, deputada eleita nas legislativas de 2022 e que não conseguiu a eleição em 2024. “A situação é absurda. Ter círculos como Porto e Lisboa, com o número de eleitores que têm, que representam 40% dos deputados no Parlamento e a Europa e Fora da Europa ter só quatro deputados é inaceitável”, apontou.




