Um grupo de ladrões mascarados levou a cabo um assalto-relâmpago ao Museu Lalique, no leste de França, roubando cerca de 20 joias avaliadas em vários milhões de euros. O ataque ocorreu na madrugada deste domingo, em Wingen-sur-Moder, na Alsácia, e obrigou o museu dedicado ao criador francês René Lalique a fechar temporariamente as portas.
Segundo o ‘The Independent’, o museu confirmou que as peças foram roubadas “num espaço de tempo muito curto”, depois de os sistemas de segurança terem sido acionados. A gendarmerie francesa deslocou-se ao local, analisou imagens de videovigilância e recebeu da equipa do museu a descrição dos objetos desaparecidos, entretanto comunicada às autoridades para ajudar na investigação.
Fontes próximas da investigação citadas pela imprensa internacional indicam que os assaltantes terão entrado no museu por volta das 5h30 da manhã, forçado uma porta e seguido diretamente para a sala das joias. Terão partido seis vitrinas e fugido com cerca de 20 peças, num prejuízo que poderá aproximar-se dos quatro milhões de euros.
Museu fechado “nos próximos dias”
O Museu Lalique anunciou que ficará encerrado durante os próximos dias para preparar uma reabertura em segurança para trabalhadores e visitantes. Na declaração divulgada após o assalto, a instituição agradeceu o profissionalismo de todos os envolvidos e confirmou que a investigação continua em curso.
O museu situa-se em Wingen-sur-Moder, a cerca de 60 quilómetros de Estrasburgo, e reúne mais de 650 peças ligadas à obra de René Lalique e da sua família, incluindo joalharia Arte Nova, vidro Art Déco e cristal. O espaço abriu em 2011 e está localizado perto da região onde a marca Lalique consolidou parte importante da sua história industrial e artística.
René Lalique, que morreu em 1945 aos 85 anos, começou a carreira como joalheiro e tornou-se uma das figuras maiores da joalharia e do vidro artístico francês. Nas suas criações usava materiais como vidro, esmalte, marfim, chifre e pedras semipreciosas, criando peças que marcaram a transição entre a joalharia tradicional e a linguagem decorativa da Arte Nova.
Peças únicas e difíceis de revender
A dimensão exata do prejuízo ainda está a ser avaliada, mas fontes próximas da investigação apontam para um valor próximo dos quatro milhões de euros. Alguns relatos indicam que as peças roubadas eram joias em cristal, sem pedras preciosas, o que torna mais difícil a sua revenda ou transformação, já que não podem simplesmente ser fundidas como metais preciosos.
As autoridades analisam agora as imagens das câmaras de segurança e procuram perceber se o grupo conhecia previamente o museu, a disposição das vitrinas e o valor das peças expostas. O facto de os assaltantes se terem dirigido diretamente à zona da joalharia reforça a hipótese de um golpe preparado.
O assalto reacende preocupações sobre a segurança de museus franceses, sobretudo por ocorrer menos de um ano depois de outro roubo de grande impacto no Louvre, em Paris. Nesse caso, um grupo usou uma escada extensível montada num camião, partiu janelas com pequenas motosserras e executou o assalto em apenas sete minutos, em plena manhã.
Novo alerta para os museus franceses
No caso do Museu Lalique, os sistemas de alarme foram ativados, mas os ladrões conseguiram escapar antes da chegada das autoridades. Segundo relatos da imprensa francesa e internacional, a rapidez da operação e a escolha das peças sugerem uma ação planeada e executada por assaltantes especializados.
O presidente da região Grand Est, Franck Leroy, condenou o roubo e classificou-o como um ataque ao património e à cultura da região, segundo o The Sun. O museu, dedicado a uma das marcas francesas mais reconhecidas no universo do luxo, é também uma atração cultural relevante para a Alsácia.
A investigação prossegue sem que tenham sido divulgados, até ao momento, detalhes oficiais sobre todas as peças levadas. A prioridade das autoridades é identificar os assaltantes e impedir que as joias entrem no circuito internacional de arte roubada, onde objetos únicos podem desaparecer durante anos ou ser vendidos discretamente a colecionadores privados.














