Laboratório de Wuhan criou oito vírus. Dois são altamente infeciosos para humanos

A teoria de que o vírus tenha escapado de um laboratório de Wuhan, continua a ser uma das apontadas por cientistas, ainda mais depois de se descobrir que esse laboratório já criou oito vírus, dos quais dois são altamente infeciosos para humanos. 

Simone Silva

Dois anos após o surgimento da pandemia o mistério sobre o coronavírus continua. A teoria de que o vírus tenha escapado de um laboratório de Wuhan, continua a ser uma das apontadas por cientistas, ainda mais depois de se descobrir que esse laboratório já criou oito vírus, dos quais dois são altamente infeciosos para humanos.

Segundo o jornal ‘ABC’, em 2015, Ralph Baric, investigador da Universidade da Carolina do Norte e colaborador do Instituto Wuhan de Virologia (WIV), em conjunto com o especialista em coronavírus de morcegos Shi Zhengli, publicaram um estudo no qual Baric usou a sua técnica de “genética reversa”, que lhe permite dar vida a um vírus através do seu ADN e manipulá-lo, para criar um novo coronavírus em laboratório.

O referido patógeno artificial foi formado pela espinha dorsal do vírus da SARS , à qual foi anexada a proteína spike de outro coronavírus de morcego muito semelhante, chamado SHC014, que Shi Zhengli diz ter encontrado numa caverna em Yunnan. Essa proteína é o gancho que permite que os vírus entrem nas células e as infetem.

Tanto esse vírus como outro semelhante, chamado WIV 1, eram os parentes mais próximos do SARS-CoV-1, que causou a pandemia que entre 2002 e 2003 infetou 8.000 pessoas e, com uma taxa de mortalidade de 10%, matou 774.

Com a técnica de Baric, ambos conseguiram cultivar SHC014 em laboratório e infetar ratos, cujos pulmões foram geneticamente modificados com células humanas.

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De acordo com uma análise publicada pela revista MIT Review, esse “vírus quimera” também foi injetado diretamente nas células humanas e apresentou “reprodução robusta”, mostrando que existem coronavírus que podem infetar humanos sem ter que passar por um animal intermediário.

Pouco depois da experiência de Baric, Shi Zhengli continuou a fazer o mesmo no Instituto de Virologia de Wuhan. O responsável usou uma doação que os EUA tinham concedido à organização EcoHealth Alliance para investigar o risco de transmissão humana de coronavírus de morcego.

Conforme anunciado ao publicar os seus estudos, Shi e Daszak criaram oito clones do vírus WIV1 aos quais adicionaram os picos de novos coronavírus encontrados em cavernas de morcegos e dois deles “reproduziram-se bem” em células humanas. Para o ‘MIT Review’, eles eram, “para todos os efeitos, novos patógenos”.

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Além disso, e enquanto Baric tinha feito a sua experiência num laboratório BSL-3+, Shi Zhengli fê-lo num laboratório da categoria BSL-2, o penúltimo em segurança, para avançar mais rápido e com menor custo nas suas pesquisas. “Desenvolvemos um método rápido e económico para genética reversa”, lê-se no estudo publicado em 2016.

Citando questões técnicas, como não querer tornar os seus vírus mais potentes, Shi Zhengli negou que tivesse realizado um “ganho de função” e insistiu que os laboratórios BSL-2 eram apropriados para tais experiências, porque o vírus WIV1 que tinha sido manipulado não tinha causado nenhuma doença.

Oficialmente, o vírus mais próximo mantido em Wuhan é 96,4% semelhante ao SARS-CoV-2 que desencadeou a pandemia e indica uma evolução de quatro ou cinco décadas de mutações naturais. Para criar geneticamente o SARS-CoV-2, teoricamente era necessário um vírus que fosse 99% idêntico.

Ainda assim, muitos especialistas continuam a suspeitar que poderia ter havido um acidente no Instituto de Virologia de Wuhan, devido a essas experiências genéticas em laboratórios menos seguros e, acima de tudo, pela opacidade demonstrada pelo regime chinês.

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