Kim Jong-un dá ‘raspanete’ público a altos funcionários do partido por “bebedeira coletiva”

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, dirigiu uma rara reprimenda pública a dezenas de altos funcionários do Partido dos Trabalhadores da Coreia (WPK), acusando-os de conduta imprópria relacionada com uma “bebedeira coletiva”. A denúncia ocorreu durante uma reunião do partido esta semana, segundo avançou a agência estatal KCNA.

Pedro Zagacho Gonçalves

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, dirigiu uma rara reprimenda pública a dezenas de altos funcionários do Partido dos Trabalhadores da Coreia (WPK), acusando-os de conduta imprópria relacionada com uma “bebedeira coletiva”. A denúncia ocorreu durante uma reunião do partido esta semana, segundo avançou a agência estatal KCNA.

Kim Jong-un criticou particularmente dirigentes dos condados de Onchon e Usi, onde estão a ser construídas fábricas no âmbito da política de desenvolvimento regional “20×10”, um programa que visa modernizar as áreas rurais do país. De acordo com o portal sul-coreano NK News, nas últimas semanas realizaram-se cerimónias de inauguração de fábricas nestes condados, onde são produzidos bens como vestuário e alimentos.

No caso de Onchon, situado na costa oeste da Coreia do Norte, mais de 40 funcionários estiveram envolvidos na “bebedeira colectiva”, um comportamento que a liderança do partido classificou como inaceitável. “Nunca antes na história do nosso partido houve um acto tão imprudente”, declararam altos funcionários do WPK num relatório citado pela KCNA. O mesmo documento acrescenta que “o consumo colectivo de álcool e o comportamento delinquente são totalmente contrários à linha do partido sobre disciplina”.

Quanto ao condado de Usi, na região sudoeste do país, não foram especificados os detalhes da má conduta dos dirigentes locais. No entanto, a KCNA referiu-se a “crimes contra o povo” cometidos contra os cidadãos da região.

Durante a reunião do WPK, Kim Jong-un não poupou críticas e alertou para a gravidade da situação, afirmando que “aqueles que abusam do poder e actuam de forma burocrática nas regiões locais estão a tentar destruir a sagrada fortaleza da unidade entre o partido e o povo”. O líder norte-coreano classificou este tipo de comportamento como “um mega crime que nunca poderá ser perdoado pelo nosso partido, pelo nosso povo, pelo nosso sistema e pelo nosso poder legal”.

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Kim declarou que este episódio deveria servir como um “alerta” para os restantes quadros do partido em todo o país e prometeu uma repressão a nível nacional contra comportamentos considerados inadequados. Como consequência, dissolveu o comité do partido no condado de Onchon e o “órgão de inspecção agrícola” em Usi, tendo ainda ordenado punições para altos funcionários, segundo relatou o jornal oficial Rodong Sinmun.

A condenação pública de funcionários do WPK por consumo de álcool é invulgar, uma vez que beber socialmente é uma prática comum e culturalmente aceite na Coreia do Norte. Habitualmente, este tipo de sanções e purgas no interior do partido são conduzidas de forma discreta, sem grande exposição mediática.

A reprimenda acontece numa altura em que Kim Jong-un reforça o controlo interno do regime, ao mesmo tempo que endurece a sua retórica contra os Estados Unidos e a Coreia do Sul. No início desta semana, o líder norte-coreano inspeccionou uma instalação de produção de material nuclear e apelou ao reforço da capacidade de combate nuclear do país, sublinhando que esta é “a nossa nobre tarefa invariável” para enfrentar desafios crescentes impostos por “forças hostis” – uma referência velada aos EUA e aos seus aliados na região.

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A possibilidade de um eventual regresso de Donald Trump à Casa Branca poderá abrir caminho para a retoma da diplomacia entre Washington e Pyongyang, dado que Trump e Kim Jong-un se encontraram três vezes durante o primeiro mandato do ex-presidente norte-americano. No entanto, a actual posição de Kim sugere que o regime norte-coreano se mantém focado no desenvolvimento do seu programa nuclear e na consolidação do controlo interno.

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