Kiev propõe trégua, Moscovo responde com ameaça: “O inverno vai trazer-vos um congelamento”

Ministério da Defesa russo publicou esta sexta-feira uma fotografia de drones de ataque acompanhada pela frase “Como neve sobre a cabeça”

Francisco Laranjeira

A Rússia ameaçou intensificar os ataques contra a Ucrânia durante o próximo inverno, numa mensagem que parece apontar para uma nova campanha contra infraestruturas energéticas à medida que as temperaturas baixarem. O aviso surgiu apenas um dia depois de Kiev ter proposto a Moscovo uma suspensão mútua dos ataques contra navios civis e infraestruturas portuárias no Mar Negro.

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Segundo o ‘Kyiv Post’, o Ministério da Defesa russo publicou esta sexta-feira uma fotografia de drones de ataque acompanhada pela frase “Como neve sobre a cabeça”. Pouco depois, deixou uma mensagem diretamente dirigida aos ucranianos: “O inverno vai trazer-vos um ‘congelamento’”.

A publicação está a ser interpretada na Ucrânia como uma ameaça de intensificação da campanha russa de drones durante os meses mais frios, tendo como possíveis alvos centrais as infraestruturas responsáveis pelo fornecimento de eletricidade e aquecimento a milhões de pessoas.

Kiev propôs uma trégua no Mar Negro

A mensagem chegou depois de a Ucrânia ter proposto, na quinta-feira, uma suspensão recíproca dos ataques contra navios civis e infraestruturas portuárias no Mar Negro. De acordo com o ‘Kyiv Post’, a proposta foi transmitida a Moscovo através de um terceiro país cuja identidade não foi revelada.

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A resposta russa chegou esta sexta-feira e foi negativa. O Ministério da Defesa afirmou que as forças russas continuarão a atacar infraestruturas portuárias ucranianas e embarcações que Moscovo considere estarem a ser utilizadas para apoiar as Forças Armadas da Ucrânia.

A proposta de Kiev surge numa altura de forte escalada no Mar Negro. Os ataques russos contra portos ucranianos e navios comerciais estão a afetar uma das principais artérias económicas do país: cerca de 90% das exportações agrícolas ucranianas são normalmente transportadas através do Mar Negro.

Exportações de cereais caíram 76%

O impacto já começa a ser visível. Segundo dados citados pela Reuters, as exportações ucranianas de cereais caíram 76% em termos homólogos na primeira parte de agosto, depois de sucessivos ataques terem perturbado o comércio marítimo.

Mas Kiev também tem aumentado a pressão sobre as infraestruturas russas no Mar Negro. Esta terça-feira, as forças ucranianas lançaram um ataque coordenado contra Novorossiysk, um dos principais centros navais e de exportação de cereais da Rússia.

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A operação obrigou três grandes terminais de cereais a suspender temporariamente as atividades e atingiu infraestruturas navais russas. Volodymyr Zelensky afirmou que foram utilizados 15 sistemas de produção ucraniana, entre mísseis, drones aéreos e drones navais.

Novorossiysk ganhou importância para Moscovo

A cidade russa tornou-se particularmente importante desde que os sucessivos ataques ucranianos na Crimeia ocupada obrigaram Moscovo a deslocar parte significativa da Frota do Mar Negro para zonas consideradas mais seguras.

A escalada coloca, assim, em risco não apenas as operações militares dos dois países, mas também as rotas comerciais que atravessam o Mar Negro e das quais depende uma parte importante das exportações agrícolas ucranianas.

Energia volta ao centro das ameaças russas

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A referência russa ao inverno tem ainda um significado particularmente sensível para Kiev. Moscovo tem atacado repetidamente centrais elétricas, subestações e outras infraestruturas críticas ucranianas durante os meses frios, provocando cortes de eletricidade, aquecimento e água.

Andriy Kovalenko, responsável pelo Centro de Combate à Desinformação da Ucrânia, respondeu à ameaça afirmando que as consequências poderão acabar por atingir também a população russa.

“Os russos já sabem quem será responsável se ficarem sem eletricidade ou aquecimento neste inverno”, afirmou Kovalenko, citado pelo ‘Kyiv Post’.

O responsável ucraniano deixou ainda um aviso a Moscovo: “O espelho funciona sempre. Colhemos aquilo que semeamos.”

A troca de mensagens deixa poucas indicações de desanuviamento. Enquanto Kiev propõe uma suspensão dos ataques contra alvos civis no Mar Negro, Moscovo rejeita a iniciativa e coloca já o próximo inverno no centro da guerra — com a rede energética ucraniana novamente sob ameaça.

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