“Kiev não está a perder, Moscovo está”: o recado claro do Congresso dos EUA a Trump

Líderes democratas e republicanos no Senado dos Estados Unidos enviaram uma mensagem clara a Washington: a Rússia não está a vencer a guerra na Ucrânia e os EUA não podem permitir-se vacilar no apoio a Kiev

Francisco Laranjeira

Líderes democratas e republicanos no Senado dos Estados Unidos enviaram uma mensagem clara a Washington: a Rússia não está a vencer a guerra na Ucrânia e os EUA não podem permitir-se vacilar no apoio a Kiev. A posição foi assumida num artigo de opinião conjunto publicado no ‘Washington Post’ pelos senadores Jeanne Shaheen e Mitch McConnell, numa altura em que o conflito entra no seu quarto ano e o debate político sobre a ajuda americana se intensifica, indicou o ‘Kyiv Post’.

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No texto, os dois senadores defendem que a Ucrânia superou repetidamente as expectativas iniciais, enquanto Moscovo tem acumulado custos militares, económicos e humanos significativos. “Kiev não está a perder e Moscovo não está a ganhar”, escreveram, sublinhando que cabe aos EUA corresponder à determinação ucraniana com decisões claras e consistentes.

O artigo surge num momento sensível em Washington, marcado por divergências sobre o alcance, o ritmo e a orientação estratégica da assistência militar e económica a Kiev. Um assessor sénior do Senado descreveu a iniciativa como um esforço deliberado para enviar um sinal inequívoco à Administração americana, defendendo que o apoio contínuo à Ucrânia é uma necessidade estratégica e não uma opção política, de acordo com o ‘Kyiv Post’.

Os autores do artigo argumentam que o presidente russo, Vladimir Putin, aposta numa estratégia de desgaste prolongado, mais do que em vitórias decisivas no terreno. Apesar disso, Moscovo falhou os seus principais objetivos estratégicos, não conseguindo capturar Kiev, consolidar o controlo das grandes cidades do sul nem dominar o leste da Ucrânia, acumulando perdas humanas e materiais expressivas.

Segundo os senadores, a Rússia terá perdido cerca de um terço dos seus bombardeiros estratégicos e mais de um milhão de soldados e efetivos. As receitas provenientes do petróleo e do gás registaram uma queda superior a 30%, enquanto aproximadamente um quarto das empresas russas se encontra em situação de falência ou risco elevado.

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Em contraste, as forças ucranianas demonstraram uma resiliência considerável, mesmo perante atrasos na entrega de armamento avançado por parte dos EUA e dos seus aliados. Assessores ligados à estratégia de defesa do Senado alertam que ceder ao desgaste favorece diretamente Moscovo e compromete a credibilidade ocidental.

O artigo de opinião é também crítico da hesitação inicial de Washington. Nos primeiros meses da guerra, pedidos de Kiev para receber caças, armas de longo alcance e sistemas de defesa aérea foram adiados, uma decisão que, segundo os autores, poderá ter prolongado o conflito. Os senadores defendem que uma resposta mais rápida e robusta poderia ter inclinado o equilíbrio militar a favor da Ucrânia e acelerado um desfecho mais estável.

Para além do impacto imediato no campo de batalha, o apoio dos EUA é enquadrado como um investimento estratégico de longo prazo. Reforçar as capacidades defensivas da Ucrânia contribui para a segurança europeia, fortalece a governação democrática e sustenta a base industrial de defesa americana. Entre as medidas defendidas estão o endurecimento das sanções à Rússia, a limitação do apoio chinês a Moscovo e a utilização de ativos russos congelados para a reconstrução e defesa ucranianas.

A iniciativa de Shaheen e McConnell representa um raro momento de convergência bipartidária em matéria de política externa. Ambos alertam que abandonar a Ucrânia ou aceitar ganhos russos inalcançáveis por via militar não conduziria a uma paz duradoura, mas antes fragilizaria a segurança europeia e a ordem internacional baseada em regras.

A mensagem final é direta: o custo da inação poderá ser superior ao custo do apoio. Para Washington, insistem os senadores, manter — e, se necessário, reforçar — a ajuda à Ucrânia é essencial para moldar o equilíbrio de poder na Europa e preservar a credibilidade estratégica dos EUA.

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