Kiev ataca a “frota-sombra” de Putin: oito navios-tanque russos atingidos numa noite

Ataques foram realizados durante a noite desta segunda-feira pelas Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia

Francisco Laranjeira

As forças ucranianas afirmam ter atingido oito navios-tanque russos que transportavam combustível para a Crimeia ocupada, numa operação noturna destinada a afetar a logística militar de Moscovo na península. Segundo o ‘Kyiv Post’, os ataques foram realizados durante a noite desta segunda-feira pelas Forças de Sistemas Não Tripulados da Ucrânia.

Robert “Madyar” Brovdi, comandante das Forças de Sistemas Não Tripulados, afirmou que os drones ucranianos atingiram oito navios-tanque pertencentes à chamada “frota-sombra” russa, usada por Moscovo para contornar sanções e manter o transporte de petróleo, gás e combustíveis.

“A frota-sombra está a sair da conversa”, escreveu Brovdi, numa formulação de tom provocatório, ao anunciar a operação. O comandante ucraniano disse que os ataques foram conduzidos por pilotos da unidade Kairos, integrada na 414ª Brigada Separada “Madyar’s Birds”, e enquadrou a ação na “batalha pelo abastecimento de combustível à Crimeia no mar de Azov”.

De acordo com Brovdi, além dos oito navios-tanque, os drones ucranianos atingiram ainda um navio de carga seca e um ferry. O comandante afirmou que todos os petroleiros visados estavam sob sanções internacionais.

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Os navios-tanque terão cerca de 7.000 toneladas de porte bruto, aproximadamente 140 metros de comprimento, e terão sido construídos entre 2006 e 2012. Entre as embarcações identificadas estão a Venus-3, Sanar-1, Sanar-17, Klymena, Teti, Alexei Savrasov e Penelope. A identidade do oitavo navio ainda estará a ser apurada.

A operação não se limitou aos meios navais. Segundo o mesmo responsável ucraniano, as forças de Kiev atingiram 58 alvos militares durante a noite na retaguarda operacional das forças russas nos territórios ocupados. A infraestrutura energética da Crimeia, incluindo instalações de fornecimento de eletricidade e centros logísticos, também terá sido visada.

A extensão total dos danos ainda está a ser avaliada. Brovdi apresentou a operação como parte de uma estratégia mais ampla para enfraquecer o abastecimento de combustível às forças russas estacionadas na Crimeia, península anexada por Moscovo em 2014 e que continua a ser um dos principais pontos logísticos da guerra.

A Ucrânia tem defendido os ataques contra a chamada frota-sombra russa, argumentando que os navios envolvidos no transporte de petróleo, gás e combustível ajudam a financiar diretamente o esforço de guerra de Moscovo. Para Kiev, essas embarcações não podem ser vistas apenas como meios comerciais comuns quando desempenham um papel estrutural no financiamento da invasão.

Numa carta enviada à Organização Marítima Internacional, o vice-primeiro-ministro ucraniano Oleksiy Kuleba sustentou que existem “questões legítimas” sobre se a atividade destes navios pode ser considerada apenas comercial. Segundo Kuleba, a frota-sombra é crítica para a geração de receitas orçamentais da Federação Russa e para a continuação da guerra.

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Moscovo acusa Kiev de realizar ataques contra navegação comercial e classificou algumas dessas ações como “terroristas”. A Ucrânia rejeita essa leitura e contrapõe que a própria Rússia atacou dezenas de navios mercantes desde o início da invasão em larga escala, incluindo embarcações turcas e de propriedade alemã.

O caso surge numa altura em que vários países europeus intensificam medidas contra a frota-sombra russa. Reino Unido e França têm intercetado navios suspeitos, enquanto Estados-membros da União Europeia pressionam países como Panamá, Barbados e Camarões a retirarem estes petroleiros dos seus registos, o que facilitaria inspeções ou detenções.

Estimativas da indústria indicam que a frota-sombra russa poderá já ultrapassar os 1.500 navios-tanque, permitindo a Moscovo continuar a exportar petróleo apesar das sanções ocidentais. A ofensiva ucraniana no mar de Azov mostra que Kiev está a tentar atacar não apenas as linhas da frente, mas também a rede económica e logística que sustenta a máquina de guerra russa.

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