A advogada Tânia Reis e o consultor forense João Sousa vão a julgamento, esta quinta-feira, depois de terem sido pronunciados por um crime de favorecimento pessoal: são suspeitos de terem “plantado” provas no local do crime de Luís Grilo, de forma a conseguirem a libertação ou mesmo absolvição da viúva, Rosa, que cumpre atualmente a pena de 25 anos a que foi condenada na cadeia de Tires. Os dois suspeitos incorrem agora numa pena máxima de três anos de prisão.
Os dois arguidos também tinham sido acusados também pelo Ministério Público pelos crimes de posse de arma proibida e simulação de crime mas a juíza entendeu não haver indícios suficientes para os levar a julgamento.
A decisão de pronunciar Tânia Reis e João Sousa foi tomada a 26 de outubro último, por Dora Dinis, juíza de Tribunal de Instrução Criminal de Loures, que considerou mais provável a condenação em julgamento dos arguidos pelo crime referido do que a sua absolvição. No seu despacho, a juíza observou que, entre 20 de julho de 2018 e 22 de novembro de 2018, inspetores da PJ e técnicos do Laboratório da Polícia Científica fizeram cinco buscas para recolha de provas por toda a habitação do casal Grilo, incluindo o quarto (suite) e a casa de banho.
Este caso começou já depois do julgamento de Rosa Grilo, acusada pela morte do marido, Luís Grilo, ter arrancado após terem sido descobertos dois fragmentos de bala e dois invólucros na casa de banho, no porta-joias e numa gaveta da cómoda da casa dos Grilos. A banheira tinha um buraco de bala. Nenhum destes indícios foi encontrado nas buscas que a PJ fizera anteriormente.
Sobre o julgamento, Tânia Reis afirmou-se surpreendida com o processo pelo qual vai ser julgada. “No meu dever de patrocínio, tenho de fazer tudo ao meu alcance para exercer um bom mandato”, argumentou a causídica. “Vou tranquila para esse julgamento, enquanto arguida”, garantiu, embora enfrente em paralelo um processo disciplinar da Ordem, que aguarda o desfecho do caso, para eventuais sanções.



