Justiça alemã decide hoje sentença de antiga secretária pelo seu papel na morte de mais de 10 mil pessoas em campo de concentração nazi

Em dezembro de 2022, uma antiga secretária de um campo de concentração nazi foi condenada a uma pena suspensa de dois anos de prisão por um tribunal no norte da Alemanha, o Tribunal Regional de Itzehoe

Francisco Laranjeira

O Tribunal Federal de Justiça alemão decide, na manhã desta terça-feira a sentença de antiga secretária de campo de concentração nazi.

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Em dezembro de 2022, uma antiga secretária de um campo de concentração nazi foi condenada a uma pena suspensa de dois anos de prisão por um tribunal no norte da Alemanha, o Tribunal Regional de Itzehoe, em Schleswig-Holstein, pelo seu papel na morte de mais de 10 mil pessoas. Irmgard Furchner, atualmente com 99 anos, trabalhou entre 1943 e 1945 como tipógrafa no campo de concentração de Stutthof, na Polónia.

De acordo com um porta-voz do tribunal, a arguida disse lamentar o que aconteceu e ter estado lá na altura.

Os advogados pediram que a sua cliente fosse absolvida, alegando que, pelo facto de estar presente, não tinha necessariamente de saber das atrocidades cometidas. A defesa também argumentou que as provas não tinham demonstrado, sem margem para dúvidas, que Furchner sabia das mortes sistemáticas no campo, o que significava que não havia provas de intenção, tal como exigido para a responsabilidade criminal.

O procurador considerou que Irmgard Furchner teria podido ver do seu gabinete grandes partes do campo, incluindo uma área onde chegavam novos prisioneiros, e também deve ter podido ver e cheirar o fumo proveniente da queima de corpos no crematório.

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A acusação imputa a Furchner ter “ajudado e incitado os responsáveis do campo no assassinato sistemático dos prisioneiros entre junho de 1943 e abril de 1945, na sua função de estenógrafa e datilógrafa no gabinete do comandante do campo”.

Dezenas de milhares de pessoas morreram em Stutthof e nos seus campos satélite, ou em marchas da morte no final da Segunda Guerra Mundial.

De acordo com a agência noticiosa alemã, DPA, o Procurador Maxi Wantzen afirmou, nos argumentos finais, que “estes processos têm um significado histórico notável”.

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