Julgamento do esquema de burla da GetEasy arranca sem o principal arguido. Fugiu para o Brasil

O empresário brasileiro, apontado como o mentor do esquema piramidal que lesou milhares de investidores em Portugal, justificou a sua ausência com o facto de residir atualmente em São Paulo, de onde não pode ser extraditado devido à sua nacionalidade brasileira.

Revista de Imprensa
Março 6, 2025
10:24

O megajulgamento do caso GetEasy teve início no Tribunal de Monsanto, mas sem a presença do principal arguido, Luiz Ribeiro Pinto. O empresário brasileiro, apontado como o mentor do esquema piramidal que lesou milhares de investidores em Portugal, justificou a sua ausência com o facto de residir atualmente em São Paulo, de onde não pode ser extraditado devido à sua nacionalidade brasileira. Pinto solicitou aos juízes autorização para ser julgado à distância, apesar de ter uma morada em Cascais.

O processo, um dos maiores casos de burla em Portugal, envolve um total de 29 arguidos e quatro empresas acusadas de crimes como burla, branqueamento de capitais e recebimento não autorizado de depósitos. A investigação do Ministério Público (MP) aponta para um prejuízo de milhões de euros e identifica 150 queixosos que reclamam indemnizações, embora se estime que o esquema tenha afetado cerca de duas mil pessoas no país.

Segundo a acusação, citada pelo Jornal de Notícias, Luiz Pinto terá importado para Portugal um modelo fraudulento já testado no Brasil, onde foi investigado em 2013 no caso “BBom”. A GetEasy funcionava com a fachada de um negócio de geolocalizadores, os chamados “get-trackers”, prometendo aos investidores lucros anuais de 300% através da compra e aluguer destes dispositivos. No entanto, o esquema operava unicamente à custa do dinheiro dos novos aderentes, que não recebiam os elevados rendimentos anunciados nem sequer os aparelhos que supostamente adquiriram. O MP identificou operações bancárias de 22,5 milhões e 14,5 milhões de euros em contas associadas à GetEasy.

A partir de setembro de 2014, começaram a surgir atrasos nos pagamentos aos investidores, revelando o colapso do esquema. Apesar disso, fundos continuaram a ser movimentados em contas bancárias em países como Dubai, Inglaterra, Espanha e Macau. A empresa promovia os seus alegados produtos e oportunidades de investimento através de eventos de grande dimensão, que contavam com a presença de celebridades como Paris Hilton e exibições de carros de luxo, incluindo Ferraris, em locais como o Meo Arena, em Lisboa.

Entre as vítimas do esquema encontram-se investidores de todo o país, com valores aplicados entre os 800 e os 128 mil euros. No entanto, apenas 150 apresentaram queixa formal e foram citados como testemunhas de acusação. Para tentar mitigar os danos, a Polícia Judiciária arrestou seis milhões de euros em quatro contas bancárias do Montepio Geral associadas ao grupo. Caso o tribunal assim decida, este montante poderá ser utilizado para indemnizar os lesados. Além do esquema dos geolocalizadores, a investigação revelou que os responsáveis pela GetEasy lançaram outros três negócios fraudulentos, incluindo um suposto investimento na compra de uma patente médica para tratamentos das doenças de Alzheimer e Parkinson.

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