Jovens são os mais entusiastas com os efeitos do 25 de Abril. Há um sério problema que Portugal tem de resolver, revela sondagem

Se em geral os portugueses avaliam favoravelmente a Revolução dos Cravos, é entre os mais jovens que é mais exaltado: 73% garantiu que o dia trouxe consequências “mais positivas do que negativas”

Francisco Laranjeira

O 25 de Abril merecem um aplauso particular dos jovens entre os 16 e 34 anos, apontou esta segunda-feira uma sondagem publicada no jornal ‘Público’: se em geral os portugueses avaliam favoravelmente a Revolução dos Cravos, é entre os mais jovens que é mais exaltado: 73% garantiu que o dia trouxe consequências “mais positivas do que negativas”, uma opinião favorável que não se estende a outros grupos etários.

“Há a ideia de que os jovens estão muito distantes do 25 de Abril e que não o valorizam, porque já foram socializados politicamente em democracia e podiam ser indiferentes. O facto é que têm uma visão não só amplamente positiva como bastante consensual”, referiu Conceição Pequito, investigadora de Ciência Política no ISCSP-CAPP.

O projeto ’50 anos de Democracia em Portugal: Mudanças e Continuidades Geracionais’, realizado pela universidade lisboeta – feito a mais de 1.300 pessoas – apontou ainda uma larga maioria dos inquiridos (69%) referiu que a revolução trouxe consequências “mais positivas do que negativas”: já um em cada quatro (24%) indicou que teve consequências “tão positivas como negativas”. Houve 7% dos entrevistados que mostrou ter uma visão negativa.

As opiniões favoráveis são mais vincadas entre os jovens (16-24 anos) e os jovens adultos (25-34 anos), com 73% a considerarem o 25 de Abril um evento globalmente positivo, 21% a equipararem os efeitos positivos aos negativos e 6% a terem uma avaliação menos favorável.

“É uma opinião positiva generalizada, independentemente do posicionamento ideológico”, revelou a especialista: os que, numa escala de 0 a 10, dizem estar o mais à esquerda são unânimes (100%) na avaliação positiva do 25 de Abril, já os que dizem o mesmo na direita são 33%, considerando os restantes 67% que da revolução saíram tantas coisas boas quantas más. “Porém, quando analisados através de testes estatísticos, constata-se que, ao contrário do que acontece com a população portuguesa, não há diferenças estatisticamente significativas entre os grupos etários mais jovens”, frisou.

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No entanto, apesar de maioria dos inquiridos ter uma opinião positiva sobre o 25 de Abril de 1974, há variações conforme os níveis de escolaridade e de rendimentos e a zona do país onde as pessoas habitam. Que mora nos subúrbios das grandes cidades manifestou menos entusiasmo pelos efeitos da revolução: 10% diz terem sido negativas, já 63% dizem ter tido resultados positivos, o que acaba por ser a percentagem mais baixa desta resposta.

Por outro lado, quem vive numa situação económica “muito difícil” veem o 25 de Abril positivamente (79%), já quem declarou viver razoavelmente não são tão assertivas: 66% fazem uma avaliação globalmente positiva, 25% diz que não foi bom nem mau, e 8% garantiu que a revolução foi má.

Corrupção merece nota negativa nos portugueses

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Entre as consequências do 25 de Abril, foi na saúde e educação que os portugueses indicaram ter havido maior evolução – as opiniões sobre habitação, economia, integração regional, igualdade social e justiça merecem também uma evolução alternativa, mas menos expressiva.

Mas a corrupção é mesmo a área que os portugueses mais criticam: 65% dos entrevistados acham que Portugal está pior hoje neste campo do que em 1974, uma tendência que é transversal, grupos etários, níveis de escolaridade, rendimento ou local de habitação.

“Aos olhos dos portugueses, a corrupção continua a ser um problema endémico na nossa sociedade, independentemente da transição de um regime ditatorial para um regime democrático”, apontou a investigadora.

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