De acordo com vários meios espanhóis, entre eles o ABC e o La Vanguardia, depois de anunciar a sua intenção de abandonar Espanha, o Rei Don Carlos terá viajado para a República Dominicana, local onde reside também um dos seus grandes amigos, Pepe Fanjul.
Fanjul é proprietário do complexo Casa de Campo, em La Romana (República Dominicana), onde, segundo o La Vanguardia, Juan Carlos ficará alojado durante algumas semanas, sem intenção de fazer do recinto sua morada permanente.
A viagem terá ocorrido no fim de semana, com escalas em Sanxenxo, na Galiza, e no Aeroporto Francisco Sá Carneiro, no Porto, antes do destino final de Santo Domingo, na República Dominicana.
O “ABC” frisa, no entanto, que Santo Domingo pode não ser o destino final de Juan Carlos. Já que numa conversa privada com dirigentes do jornal madrileno o então rei terá dito que, caso tivesse de exilar-se, escolheria a Nova Zelândia.
A TVI avançou ontem à noite que o monarca estava a residir em Portugal, mais concretamente, no concelho de Cascais.
A casa real espanhola ainda não anunciou oficialmente o local onde se encontra o monarca.
A saída de Espanha foi anunciada na segunda-feira, através de uma carta enviado ao filho, Filipe VI, e tornada pública pela Casa Real.
A situação insustentável na sequência das informações que vieram a público sobre os negócios “pouco transparentes” de Dom Juan Carlos, a deterioração que causam na imagem da Coroa e a pressão feita pelas mais diferentes áreas – com ênfase na atuação do governo – levaram Felipe VI a não adiar mais uma decisão que já era esperada.
O rei aceitou a decisão de exílio do seu pai, o Rei emérito, Juan Carlos.
“A minha decisão foi ponderada e decidi sair da Espanha neste momento”, anunciou o ex-chefe de Estado por quase quatro décadas e que agora ocupa as primeiras páginas da imprensa mundial com os seus negócios com fundos em paraísos fiscais e contas na Suíça.
Recorde-se que em junho passado, o Supremo Tribunal espanhol abriu uma investigação ao envolvimento do rei num contrato para uma linha de alta velocidade com o Governo da Arábia Saudita. O suíço ‘Tribune de Genève’, avançava então que o antigo rei terá recebido 100 milhões de dólares neste negócio.
O clima de escândalo agigantou-se quando se tornou público Juan Carlos I doou este valor a uma amante, conseguindo assim excluir este montante de qualquer herança.
Os escândalos que marcaram o reinado do Rei emérito por quase 40 anos colocaram Felipe VI na posição de escolher ser rei antes de irmão ou filho. Primeiro, decidiu despojar a irmã Cristina e o seu marido Iñaki Urdangarin devido ao envolvimento no caso Nóos, e agora está a braços com uma nova decisão , desta vez envolvendo o seu pai que, para ainda assim ser protegiddo, tem de ser expulso de Espanha.
A fórmula encontrada para o exílio de Dom Juan Carlos é a mesma que foi usada aquando da sua demissão da vida institucional: assumindo que o visado tomou a decisão e não o próprio Rei Felipe VI. No entanto, veio a público que se realizou, há algumas semanas, uma reunião entre a Casa do Rei e o governo, com diferentes personalidades da sociedade, para analisarem e debaterem a melhor forma de lidar com o problema da presença de Juan Carlos I no mesmo espaço que o rei e a sua família.










