Jogos Olímpicos de Paris… no Taiti? Cenário paradisíaco que recebe competições de surf está a gerar polémica

Com o início dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 a aproximar-se, um dos cenários mais intrigantes e controversos será o famoso ponto de surf de Teahupo’o, no Taiti.

Pedro Gonçalves
Julho 25, 2024
12:53

Com o início dos Jogos Olímpicos de Paris 2024 a aproximar-se, um dos cenários mais intrigantes e controversos será o famoso ponto de surf de Teahupo’o, no Taiti. A competição de surf, marcada para começar a 27 de julho, trará a esta icónica localização a atenção global, mas não sem uma dose significativa de polémica.

Teahupo’o, uma zonas de ondas mais famosas do mundo, foi escolhida para sediar a competição de surf como parte do esforço dos organizadores olímpicos de Paris para expandir os eventos para além da cidade sede. O Taiti, uma colónia francesa desde 1880 e agora uma região ultramarina autónoma, representa um contraste fascinante com os marcos parisienses que serão igualmente destacados no evento, como a Torre Eiffel e o Palácio de Versalhes.

Embora a beleza natural e a qualidade das ondas de Teahupo’o sejam indiscutíveis, a seleção do local para os Jogos Olímpicos não foi isenta de desafios e controvérsias. Teahupo’o, situada a cerca de 15.600 quilómetros e a 21 horas de voo de Paris, é uma das localidades mais distantes já escolhidas para sediar um evento olímpico.

A escolha do Taiti para a competição de surf foi inicialmente vista como uma oportunidade de destacar um local de extraordinária beleza e relevância para o surf profissional. No entanto, a construção de uma nova torre de avaliação para os juízes desencadeou uma série de problemas. Originalmente, foi planeada uma torre de 14 toneladas e 150 metros quadrados, equipada com espaço para 40 pessoas, água potável e ligações de águas residuais. Este plano gerou preocupações significativas quanto à segurança e ao impacto ambiental.

A torre de madeira existente, utilizada nas competições de surf anteriores, foi considerada inadequada para os padrões olímpicos. A solução encontrada, uma nova torre de alumínio, foi criticada por potenciais danos ao delicado recife de coral ao largo de Teahupo’o. A construção gerou uma reação negativa, sendo acusada de ser um símbolo de colonialismo e de não estar à altura das promessas de sustentabilidade feitas pelos organizadores dos Jogos.

A Save Teahupo’o Reef publicou um vídeo em que mostra uma embarcação presa no recife durante a construção da nova torre, além de evidências de danos ao coral. Alexandra Dempsey, ecologista e diretora executiva da Khaled bin Sultan Living Oceans Foundation, expressou preocupação com o impacto da nova estrutura: “As comunidades locais são incrivelmente apaixonadas e culturalmente ligadas ao oceano e aos sistemas de recifes. A nova torre pode danificar não apenas a ecologia do recife, mas também a estrutura natural que cria as ondas”, afirmou à CNN Internacional.

A construção da nova torre de alumínio, que substitui a estrutura de madeira anterior, gerou um debate considerável sobre o equilíbrio entre as exigências olímpicas e a proteção ambiental. Os organizadores olímpicos afirmam ter considerado diversas opções antes de decidir pela construção da nova estrutura. De acordo com o comunicado de imprensa de novembro de 2023, a decisão foi tomada para garantir a longevidade da torre e a conformidade com as normas de segurança e certificação.

A nova torre, agora com nove toneladas e 50 metros quadrados, foi projetada para ter um impacto mínimo sobre o coral e será desmontável, montada anualmente durante os eventos de surf. Tim McKenna, fotógrafo baseado no Taiti, afirmou que a estrutura foi construída em uma área com pouco coral, minimizando os danos potenciais. “A nova torre nunca foi apenas para os Jogos Olímpicos. É um investimento para os próximos 20 anos de eventos de surf em Teahupo’o”, explicou McKenna.

O governo do Taiti vê a nova estrutura como um investimento estratégico para o futuro da região, proporcionando um recurso duradouro para competições de surf e eventos esportivos. No entanto, a controvérsia e as críticas persistem, refletindo as tensões entre o desenvolvimento de infraestruturas para grandes eventos e a necessidade de preservar os ecossistemas naturais.

À medida que os Jogos Olímpicos de Paris 2024 se aproximam, Teahupo’o emerge como um dos locais mais memoráveis e controversos da competição. Enquanto a ilha do Taiti promete oferecer ondas espetaculares e uma experiência única para os surfistas, o debate sobre a construção da nova torre e o impacto ambiental destaca a complexidade de organizar grandes eventos internacionais em locais ecologicamente sensíveis.

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