“Já ninguém escapa, sentimento é de terror”: portugueses nos EUA não escondem receio pelo futuro

Em Newark (Nova Jérsia), agentes da US Immigration and Customs Enforcement’s (ICE) “invadiram uma peixaria gerida por portugueses e detiveram todos os que se encontravam no interior, inclusive um veterano da guerra no Iraque”

Revista de Imprensa

Os portugueses a residir em Los Angeles, nos Estados Unidos, alertaram para o agravamento do clima de perseguição desde que Donald Trump enviou a Guarda Nacional: apesar de não haver relatos de vítimas durante os protestos nos últimos dias, há uma incerteza permanente sobre o futuro.

“Os emigrantes, inclusive os que possuem Green Card [autorização de residência] e que, por isso, estão em situação legal, podem ser detidos a qualquer momento e reenviados para Portugal. Basta que seja encontrado um pequeno pretexto, como uma simples multa antiga de trânsito, para a ordem ser dada”, denunciou Ana Rita Guerra, ao ‘Jornal de Notícias’. “O sentimento dentro da comunidade é de terror. Já ninguém escapa, mesmo quem é cumpridor da lei.”

“Audiências normais terminam em situações de risco, com as pessoas inesperadamente expulsas para o país de origem ou enviadas para presídios durante dois ou três meses”, acrescentou a jornalista radicada em Los Angeles, lembrando que há exemplos de quem esteja a adiar, ou mesmo anular, períodos de férias em Portugal, por temer “que no regresso lhes seja impedida a entrada nos EUA”.

Também Ana Rocha, que vive no condado de Los Angeles, relatou “rusgas sem regra, ao estilo militar, muitas vezes com carrinhas e agentes à paisana”, em “locais de trabalho e, inclusive, em escolas”. “Não apenas são detidos os ilegais, basta que não apresentem na hora prova de cidadania. Sou residente legal e passei a andar sempre com o meu Green Card, para o caso de ser abordada.”

O receio da comunidade portuguesa nos EUA estende-se a todos os estados. “Não só há quem tenha receio de voar para Portugal por recear não obter depois autorização para voltar ao país, como há mesmo quem evite ao máximo sair de casa para não correr o risco de ser detido e deportado”, apontou Nelson Tereso, advogado luso-americano.

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“São comuns situações de emigrantes que vivem nos EUA há duas ou três décadas, alguns até há mais tempo, que formaram família, trabalham, pagam as suas contribuições e impostos e que, mesmo assim, permanecem ilegais. São esses os que manifestam mais preocupações e que alteraram o seu estilo de vida habitual.”

Os casos de perseguição à comunidade nacional atingiram níveis “nunca dantes vistos”. Recentemente, em Newark (Nova Jérsia), agentes da US Immigration and Customs Enforcement’s (ICE), a agência federal de imigração, “invadiram uma peixaria gerida por portugueses e detiveram todos os que se encontravam no interior, inclusive um veterano da guerra no Iraque”.

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