Já levei a vacina e agora? Quanto tempo dura a proteção? E as novas variantes? 7 respostas sobre a vacinação

Numa altura em que os planos de vacinação, em Portugal, na Europa e no mundo, correm a um ritmo razoável, importa recordar algumas questões comuns de muitos cidadãos que já receberam ou ainda vão receber a vacina contra a Covid-19. 

Simone Silva

Numa altura em que os planos de vacinação, em Portugal, na Europa e no mundo, correm a um ritmo razoável, importa recordar algumas questões comuns de muitos cidadãos que já receberam ou ainda vão receber a vacina contra a Covid-19.

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Depois de ser imunizado tenho de manter todas as regras? Já tive a doença, tenho de levar a vacina na mesma? A vacina oferece proteção contra novas variantes? A resposta a estas e outras questões, para ler de seguida.

1. Depois de ser vacinado tenho de continuar a usar máscara e a manter a distância?

Mesmo depois de tomar as duas doses da vacina (a imunização completa), a pessoa vacinada deve continuar a cumprir todas as regras básicas, nomeadamente, manter o uso de máscaras, evitar ajuntamentos e manter a higienização das mãos.

Ainda não está comprovado cientificamente que as vacinas consigam interromper a transmissão do vírus, e por isso é necessário manter todos os cuidados. “As vacinas que temos disponíveis não comprovaram serem eficazes contra a transmissão da doença. São eficazes para evitar que a doença progrida para casos graves”, explicou a vice-diretora da Organização Mundial da Saúde, Maria Ângela Simão.

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2. Posso ter encontros sem máscara com mais pessoas se estivermos todos vacinados?

Em Portugal ainda não está definida nenhuma orientação nesse sentido. Contudo, o Centro Europeu de Doenças já referiu que essas regras, tal como a distancia social, podem ser aliviadas para quem estiver totalmente imunizado contra a Covid-19.

“À medida que a vacinação avança, é encorajador ter recomendações baseadas em provas de que a imunização pode, lentamente, permitir o relaxamento das intervenções não-farmacêuticas [medidas restritivas], tais como o uso de máscaras e o distanciamento físico”, assinala a diretora do ECDC, Andrea Ammon, num relatório divulgado na semana passada. Ainda assim há especialistas que não concordam com a medida.

3. Já tive coronavírus, ainda tenho de tomar a vacina?

Sim. Especialistas dizem, citando dados científicos, que a vacina deve ser aplicada em quem já teve a doença. A vacina pode oferecer uma imunidade mais duradoura e trazer mais benefícios em relação à nossa imunidade natural.

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Em fevereiro, a OMS divulgou novas diretrizes sobre a vacinação para quem teve ou tem Covid-19 No documento, a entidade reforçou que pessoas com teste positivo para o vírus devem esperar recuperar-se da “fase aguda da doença”, aguardando também “a suspensão do isolamento”.

Para além disso, quem estiver infetado pode adiar a vacinação por seis meses. A entidade ressalvou ainda que, quando mais dados estiverem disponíveis sobre a duração da imunidade depois da infeção natural, a duração do adiamento pode ser revista.

4. Quem já foi vacinado está protegido contra as novas variantes?

As fabricantes de vacinas continuam a avaliar o comportamento dos imunizantes contra as novas variantes que têm surgido. Estudos apontam que a vacina de Oxford é eficaz contra as variantes brasileira e britânica.

A Pfizer anunciou que a vacina que desenvolveu contra a Covid-19 conseguiu evitar todos os casos sintomáticos da doença causados pela variante sul-africana do coronavírus, a B.1.351. O imunizante também se mostrou eficaz contra as variantes do Reino Unido e Brasil.

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A vacina da Moderna conseguiu combater variantes da África do Sul e do Reino Unido; mesmo assim, uma terceira dose da vacina será testada como reforço contra as variantes, e, ainda, uma nova candidata para dose de reforço. A Johnson também anunciou que sua vacina mostrou ter 57% de eficácia contra a variante da África do Sul, um dos países onde foi testada.

5. Após tomar a vacina, fico logo imunizado?

Mesmo após as duas doses da vacina, o nosso organismo não gera uma resposta imune imediata, explica o infeciologista José Geraldo Leite Ribeiro, vice-presidente regional da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), citado pelo jornal ‘O Globo’.

“A proteção dá-se um tempo após a aplicação da segunda dose, e esse tempo varia de acordo com cada vacina. Na maioria delas, a imunidade acontece a partir de dez ou vinte dias após a segunda dose”, esclarece o mesmo responsável. “Se uma pessoa que tomou a vacina se infectar antes desse tempo, não quer dizer que a vacina falhou, mas que não deu tempo para o sistema imunológico criar a resposta imune”, acrescenta.

6. Quanto tempo dura a proteção da vacina?

O imunologista Luís Graça afirma que “é expectável” que a vacinação contra a covid-19 confira proteção durante pelo menos um ano, mas observou que é necessário tempo para se ver como evolui a imunidade das pessoas vacinadas.

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“Como as pessoas que tiveram covid-19 têm, na sua maioria, um estado de imunidade que dura pelo menos sete ou oito meses, é expectável que a vacinação confira imunidade por um período de pelo menos um ano”, referiu, em declarações à Lusa, realçando que “as pessoas vacinadas produzem uma maior quantidade de anticorpos contra o vírus do que as pessoas que tiveram covid-19”.

7. Ainda posso contrair/transmitir o vírus se estiver vacinado?

É possível, sim. As vacinas disponíveis são eficazes na prevenção da forma grave da Covid-19, mas ainda não se sabe se protegem contra a transmissão. Mesmo que a pessoa vacinada não adoeça, ainda pode ser infetada sem apresentar sintomas e contaminar outros indivíduos.

As empresas responsáveis pelas vacinas continuam a fazer testes para analisar a eficácia na prevenção da doença. Um estudo publicado em fevereiro, por exemplo, diz que a vacina de Oxford pode ter capacidade de reduzir em até 67,6% a transmissão do novo coronavírus. Um outro estudo, feito com a vacina da Pfizer/BioNTech, concluiu que o imunizante reduziu em 75% a transmissão do coronavírus menos de um mês após a aplicação da primeira dose.

 

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