O ministro da saúde do Brasil, Luiz Henrique Mandetta apresentou, esta quinta-feira, a sua demissão do cargo após o surgimento de rumores que davam conta do sucedido, devido ao clima de tensão com o presidente Jair Bolsonaro a propósito da gestão da pandemia de Covid-19, de acordo com a revista ‘Veja’.
Luiz Henrique Mandetta revela ser impossível continuar como responsável desta pasta face aos mais recentes desenvolvimentos: «Não, não. São 60 dias nessa batalha. Isso cansa!», afirma em entrevista à mesma revista.
«Sessenta dias a ter de medir palavras. Você conversa hoje, a pessoa entende, diz que concorda, depois muda de ideia e fala tudo diferente. Você vai, conversa, parece que está tudo acertado e, em seguida, o camarada muda o discurso de novo. Já chega, né? Já ajudámos bastante», defende o responsável.
O responsável adianta que apenas vai continuar no cargo «até encontrarem uma pessoa» para o substituir. Assim que tal acontecer, o seu objectivo passa por «trabalhar» para sustentar a família.
«Tenho de ganhar o pão. O meu caçula, o Paulo, está no último da faculdade de direito na USP, em São Paulo. O Pedro, que é médico, está na residência de cirurgia geral na Santa Casa de Campo Grande, e a Marina, que é advogada e mãe do meu netinho», conclui.
Esta decisão já se previa visto que nos últimos dias a tensão entre Mandetta e Bolsonaro se acentuava cada vez mais. Na semana passada, o próprio ministro admitiu que viu a sua permanência no Executivo em risco, mas a pressão da ala militar junto de Bolsonaro terá bloqueado a decisão.
Com esse apoio de peso, tudo parecia encaminhado para que o ministro – que se incompatibilizou com Bolsonaro por defender medidas de isolamento social para conter a epidemia – pudesse continuar no cargo, mas ao que parece o responsável não aguentou as divergências com o Presidente do Brasil.
Mandetta disse que o posicionamento de Bolsonaro em relação às políticas sanitárias de combate à epidemia deixa «dúvidas» entre a população. «Não sabem se escutam o ministro da Saúde, se escutam o Presidente», disse numa outra entrevista no domingo à noite.
As declarações foram vistas como provocações pelo Palácio do Planalto e reavivaram a discórdia entre Presidente e ministro. Nos últimos dias, várias fontes próximas da Presidência eram citadas pela generalidade da imprensa garantindo a saída de Mandetta até ao final da semana e a sua substituição por alguém que alinhasse com o discurso de Bolsonaro, que defende um rápido retorno à normalidade para que a economia não seja prejudicada.
Últimos números do coronavírus no Brasil
O Brasil ultrapassou a barreira dos três mil novos casos diários do novo coronavírus, registando o número recorde de 3.058 infectados e 204 mortos nas últimas 24 horas.
O país registou 204 mortes, o mesmo número contabilizado no dia anterior, e 3.058 novas pessoas infectadas, mais 1.226 do que na terça-feira (1.832).
Além do número recorde de novos casos num único dia, o Brasil registou um aumento de 13% nas vítimas mortais, de 1.532 para 1.736, enquanto o número de infectados cresceu 12%, de 25.262 para 28.320 casos confirmados.
A taxa de letalidade do novo coronavírus no país manteve-se em 6,1%, indicou o Ministério da Saúde.
São Paulo continua a ser o estado brasileiro com maior número de casos confirmados, registando 778 mortos e tendo ultrapassado hoje os 11 mil infectados, registando 11.043 casos de infeção.
Seguem-se o Rio de Janeiro, com 265 vítimas mortais e 3.743 casos confirmados, e o Ceará, que teve, até ao momento, 116 óbitos e 2.157 casos de infecção.
Contudo, Tocantins, localizado na região norte do país e que até terça-feira era o único estado brasileiro sem casos de mortes, registou o seu primeiro óbito em decorrência da Covid-19.
Assim, todos as 27 unidades federativas do Brasil (26 estados mais o Distrito Federal) possuem agora óbitos associados à infeção pelo novo coronavírus.














