“Já assistimos à ascensão das mulheres em cargos de liderança”, sublinha a Diretora Executiva da APDC

As mulheres continuam a enfrentar desafios e a superá-los na ascensão a cargos de liderança nas empresas. A Executive Digest falou com Sandra Fazenda Almeida, Diretora Executiva da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, para perceber quais os principais entraves das mulheres na progressão para posições de liderança.

André Manuel Mendes

As mulheres continuam a enfrentar desafios e a superá-los na ascensão a cargos de liderança nas empresas. A Executive Digest falou com Sandra Fazenda Almeida, Diretora Executiva da APDC – Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, para perceber quais os principais entraves das mulheres na progressão para posições de liderança.

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Desafios na progressão para posições de liderança

“Há um estereótipo de género, que influencia a perceção da capacidade das mulheres para cargos de liderança. A nossa maior empatia, ou a forma mais alegre como vivemos, como nos expressamos ou como nos vestimos, poderá ter uma conotação mais negativa, eventualmente de falta de seriedade para o desempenho de cargos de liderança.

Acresce que, as mulheres têm, na maioria das vezes, um ‘duplo emprego’, pessoal e profissional. Por isso, e além do esforço adicional que despendem diariamente, acabam por ter menos tempo para investir na sua formação e carreira e para participar em eventos e oportunidades de networking profissional.

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Destaco ainda, em muitos casos, a falta de flexibilidade no local de trabalho ou a pouca ou nenhuma tolerância para questões associadas à maternidade ou à própria condição de mulher (como a menstruação), que representam desafios específicos das mulheres no mercado de trabalho.”

 

Falta de exemplo inspiracional

“Enquanto se mantiver um deficit de representação feminina em cargos de liderança faltará sempre o exemplo inspiracional para outras mulheres e para demonstrar os ganhos da diversidade de género”

 

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O que podem (e devem) as empresas fazer?

“As empresas devem analisar este tema e implementar um conjunto de medidas que promovam a igualdade de género. Não podemos perpetuar a ‘política de avestruz’, pelo que as organizações devem criar políticas formais de remuneração igualitária, de licença parental equitativa e de combate ao assédio e discriminação no local de trabalho.

Devem ainda estabelecer as suas metas de diversidade, implementando práticas de recrutamento inclusivas, para promoverem uma cultura que valoriza a diversidade e as diferentes perspetivas, trazidas pelo género feminino. Até porque a falta de diversidade, perspetivas e ideias limita a inovação e o progresso da empresa”.

 

Diversidade no local de trabalho

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“A diversidade no local de trabalho não deve ser limitada só à diversidade de género, sendo importante que se reconheça e valorize a diversidade em todas as suas formas, incluindo raça, etnia, orientação sexual, idade, religião, habilidades e experiências de vida. Um ganho que a pandemia deixou em muitas empresas é a maior flexibilidade introduzida pelas políticas de trabalho remoto”.

 

Vantagens aportadas aos cargos de liderança

“De um modo geral, fruto da nossa educação e das regras sociais, as mulheres tendem a ser mais empáticas, multitarefa e comunicativas. Embora não existindo características genéticas específicas que possam ser atribuídas exclusivamente às mulheres, em relação aos cargos de liderança, é possível argumentar que, como resultado das suas experiências e desafios, podem ter desenvolvido capacidades que acabam por ser vantajosas para cargos de liderança. Estou a falar de características como a resiliência, resolução de problemas, capacidade de adaptação para enfrentar a discriminação e os desafios dos ambientes dominados por homens.

Em regra, as mulheres até são mais eficazes na gestão do tempo, empáticas e com uma comunicação eficaz. Têm treino pessoal, nomeadamente pelas responsabilidades e tarefas familiares. Costumo dizer que sou uma ‘mental worker’, uma verdadeira profissional do ‘worry work’: responsável pela organização da casa e despensa, refeições, consultas médicos dos filhos, compromissos dos filhos e aniversários… são vários os papéis invisíveis que uma mulher acumula. Este trabalho emocional é invisível, não compensado, (por vezes) não reconhecido e que não tem fim.

 

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E no futuro?

Já assistimos à ascensão das mulheres em cargos de liderança e há várias tendências que apontam para um aumento da participação e liderança das mulheres no mercado de trabalho.
Sinto que há um crescente movimento de entreajuda e networking feminino, com as mulheres a unirem-se para promoverem a igualdade de género e a lutarem contra a discriminação e a desigualdade no mercado de trabalho.

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