O maior estudo de vacinas Covid-19 do mundo começou esta segunda-feira, com o primeiro grupo de 30 mil voluntários ‘angariados’ que ajudarão a testar um produto dos EUA e que está entre os vários candidatos nesta reta final da corrida global de vacinas.
Ainda não há garantia de que a vacina experimental, desenvolvida pelos Institutos Nacionais de Saúde e pela farmacêutica Moderna, seja realmente eficaz no nível de proteção que vai proporcionar.
Os voluntários não vão saber se estão a receber a vacina real ou uma versão fitícia (placebo). Após duas doses, os cientistas acompanharão de perto e vão aferir qual dos grupos revela mais infeções à medida que regressam às suas rotinas diárias, especialmente se residirem em áreas onde o vírus ainda está a espalhar-se sem controlo.
“Infelizmente para os Estados Unidos da América, temos muitas infeções no momento” para obter esta resposta, disse recentemente Anthony Fauci, do NIH, à ‘The Associated Press’.
As outras vacinas, desenvolvidas pela China e pela Universidade Britânica de Oxford, no início deste mês, já iniciaram testes menores no Brasil e noutros países atingidos.
Mas os EUA exigem os seus próprios testes de qualquer vacina que possa ser usada no país e estabeleceram uma lata fasquia: durante todo mês até o outono, a Rede de Prevenção Covid-19, financiada pelo governo, lançará um novo estudo de um candidato líder – cada um com 30 mil voluntários.
Os estudos massivos não servem apenas para testar se as vacinas funcionam, também são necessários para verificar a segurança de cada vacina potencial vacina. E, seguindo as mesmas regras de estudo, os cientistas poderão comparar todos os planos.
Em agosto, inicia-se o estudo final da injeção de Oxford, seguido de planos para testar um candidato da Johnson & Johnson em setembro e da Novavax em outubro – se tudo correr conforme o cronograma. A Pfizer planeia o seu próprio estudo com 30 mil pessoas neste verão. É mais um número impressionante de pessoas disponíveis para ajudar a ciência.
Mas nas últimas semanas, mais de 150 mil americanos preencheram um registo de sinalização de interesse online, disse o Larry Corey, virologista do Instituto de Pesquisa do Cancro Fred Hutchinson, em Seattle, que ajuda a supervisionar os locais de estudo.
“Esses ensaios precisam ser multigeracionais, precisam ser multiétnicos, precisam refletir a diversidade da população dos Estados Unidos”, detalhou Corey, resslavando que é especialmente importante garantir participantes negros e hispânicos em número suficiente, pois essas populações são atingidas pela Covid-19.
Normalmente, leva anos para criar uma nova vacina a partir do zero, mas os cientistas estão a estabelecer recordes de velocidade desta vez, estimulados pelo conhecimento de que a vacinação é a melhor esperança do mundo contra a pandemia. Nem sequer se sabia que o coronavírus existia antes do final de dezembro, e os fabricantes de vacinas entraram em ação em 10 de janeiro, quando a China compartilhou a sequência genética do vírus.
Apenas 65 dias depois, em março, a vacina fabricada pelo NIH foi testada em pessoas. O primeiro destinatário está incentivando outros a disponibilizarem-se agora.
Se tudo correr bem com os estudos finais, ainda serão necessários meses para que os primeiros dados do teste da Moderna cheguem, seguido-se os de Oxford.
Governos de todo o mundo estão tentando armazenar milhões de doses dos principais candidatos para que, se e quando os reguladores aprovarem uma ou mais vacinas, as imunizações puderem começar imediatamente. Mas as primeiras doses disponíveis serão racionadas, presumivelmente reservadas para pessoas com maior risco do vírus.



