Itália, Espanha, Alemanha e França ficam com 40% da Bazuca Europeia

A transição climática e a aposta na digitalização da economia são os principais focos dos planos económicos das quatro maiores economias da Zona Euro para mitigar os efeitos da pandemia da Covid-19 e colocar as suas economias no bom caminho.

No cômputo geral, Itália, Espanha, França e Alemanha vão receber de Bruxelas 720 mil milhões de euros, cerca de 40% dos 1,8 biliões de euros reservados pela Bazuca Europeia para ajudar os 27 Estados-membros do Euro.

Itália e Espanha são os países mais beneficiados pela Bazuca Europeia. Roma irá receber um cheque de 192 mil milhões de euros em subvenções e empréstimos, equivalente a 10,7% do seu PIB; e Madrid beneficiará de 140 mil milhões de euros, cerca de 11,3% do PIB.

O Plano de Recuperação e Resiliência de Portugal, o primeiro a ser entregue em Bruxelas, é constituído por 13,9 mil milhões de euros de subvenções e 2,7 mil milhões de euros através da componente de empréstimos. Trata-se de um envelope financeiro que pode ascender a 16,6 mil milhões de euros, cerca de 7,8% do PIB.

 

Itália: Mario Draghi é o arquiteto do maior programa da Europa

O antigo presidente do Banco Central Europeu (BCE) e agora primeiro-ministro de Itália vai investir 191,5 mil milhões de euros para aplicar um programa de 273 páginas.

O plano de recuperação económico de Draghi pressupõe financiamentos na ordem dos 60 mil milhões de euros para o combate às alterações climáticas, incluindo projetos como parques eólicos e mobilidade elétrica, 41 mil milhões de euros para modernizar a administração pública, 25 mil milhões de euros para as infraestruturas e ainda 32 mil milhões de euros em investigação e educação.

Espanha: Procura uma boia de salvação imediata

O Governo de Pedro Sánchez apresentou a Bruxelas um pacote de 212 medidas que se repercute num pacote financeiro de 140 mil milhões de euros. Deste valor, Madrid espera receber para já cerca de 69,5 mil milhões de euros para relançar a economia. O restante será financiado posteriormente.

No plano espanhol, 40% do dinheiro obtido irá destinar-se à transição ecológica, em especial através do investimento na mobilidade sustentável, de onde se destacam 13,2 mil milhões de euros investidos só em carros elétricos.

Cerca de 29% do capital será canalizado para a modernização da administração pública e modernização das pequenas e médias empresas. Planos de formação e educação receberão ainda uma fatia de 10,5%, estando o restante destinado a programas tecnológicos como a implementação do 5G.

O Executivo espanhol comprometeu-se ainda a incluir ajudas à reabilitação de habitações para as quais os proprietários obterão entre 35% e 100% do custo de obras de melhoria de edifícios.

São cerca de 5,8 mil milhões de euros alocados para diferentes programas de reabilitação e a aposta na eficiência energética. 70% deste valor irá para a habitação e os restantes 30% destinam-se a reformar edifícios públicos.

França: Aposta na economia verde

O programa francês assume 40,9 mil milhões de euros em subvenções e vai atribuir metade dos fundos que recebe de Bruxelas naquilo que chama de “transição climática”, apostando 40 mil milhões de euros na construção de infraestruturas menos poluentes, na mobilidade elétrica e nos transportes, sobretudo ferroviários.

Além disso, 25% do programa de Emmanuel Macron vai ser usado para incrementar uma “nova onda de digitalização” na administração pública e nas empresas.

Alemanha: Investimento na digitalização

A Alemanha elaborou um plano na ordem dos 27,9 mil milhões de euros, sendo que o limite máximo de subvenções a que o país tem direito é de 25,6 mil milhões de euros – pelo que Berlim deverá cobrir as despesas adicionais.

No plano de 1000 páginas de Merkel, a chanceler compromete-se a investir os fundos  em projetos mais concretos que os seus pares, apostando, por exemplo, cerca de 2 mil milhões de euros na indústria automóvel, com especial foco na construção de veículos mais inteligentes.

O programa alemão dedica mais de 50% dos fundos, cerca de 14 mil milhões de euros, para a transição digital da sua economia, com particular fodo para a modernização da administração pública, no que toca à relação entre Administração Central e Lander (Estados Federados).

Quanto ao combate às mudanças climáticas, Berlim quer sobretudo impulsionar a investigação sobre a utilização do hidrogénio verde e azul através do financiamento de 11,5 mil milhões de euros.

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