Itália em rota de colisão com Bruxelas. Crise iminente pode desencadear um ‘implosão’ da união monetária?

A Itália está em rota de colisão com Bruxelas, representando uma ameaça existencial à união monetária da União Europeia (UE) dentro de dois anos, advertiu um economista italiano, em declarações ao britânico ‘Express.co.uk’.

Nesta sua análise, Luigi Bonatti, da Universidade de Trento, também sugeriu que Matteo Salvini, o ex vice primeiro-ministro de Itália, venceria as próximas eleições, apontando ainda que o líder do partido Lega, de direita, tentaria efetivamente manter o resto do bloco.

Bonatti, e a sua colega Andrea Fracasso, partilharam estas suas preocupações num novo artigo publicado ontem pelo grupo de estudos EconPol, intitulado “A Crise da Covid-19 Crisis, Italy and Ms Merkel’s Turnaround”.

O artigo analisa o plano de resgate da crise do coronavírus, de biliões de euros, que visa mitigar o impacto da pandemia, apresentando sob a forma de mutualização da dívida – algo que vai contra os princípios de sempre do bloco.

Bonatti disse ao ‘Express.co.uk que a principal preocupação entre os chamados Frugais (Holanda, Dinamarca, Suécia e Áustria), bem como na Alemanha, é que as medidas acordadas pelo Conselho Europeu em junho possam ser utilizadas para financiar altos níveis de gastos públicos em países do sul da Europa, com o custo distribuído pelos Estados-membros da UE.

“Assim que a emergência Covid-19 passar, os Frugais e a Alemanha não aceitarão por muito tempo uma situação em que se tornam os contribuintes líquidos em benefício dos países do Mediterrâneo. Porque desta forma estes últimos nunca irão ajustar as suas economias e promover a competitividade e o potencial de crescimento”, defende o economista.

“Em primeiro lugar, numa perspetiva de longo prazo, a situação italiana é pior do que a espanhola porque a Itália – diferente de Espanha – está estagnada desde o final dos anos 1990, tem uma dívida pública maior e três partidos populistas agressivos que controlam 55% dos eleitores. Se o BCE tiver, em 2022, que começar a aumentar as taxas de juros e reduzir as compras de dívida soberana, é bem possível que a Itália esteja em sérios apuros e precise de um resgate”, alertou o especialista.

“Os Frugais e a Alemanha podem não aceitar esta situação o que poderá levar à implosão da zona euro”, ressalvou Bonatti, acrescentando que a deterioração da situação já a ser usada em termos políticos no país.

Segundo o economista, se houvesse eleições em Itália agora, as sondagens mostram que uma aliança dominada por Salvini e os parceiros pós-fascistas provavelmente venceria.

“Mesmo que o futuro seja muito incerto e qualquer previsão possa ser falsificada, acho que, com a dor económica que se seguirá à pandemia, esta aliança provavelmente vai tornar-se ainda mais forte. E vão negociar agressivamente a possibilidade de a Itália ter um grande défice público graças ao apoio do BCE, ameaçando não pagar a dívida com as instituições da UE e países parceiros. O mercado financeiro obviamente reagirá a esta possibilidade, com o governo italiano a usar como bode expiatório os seus parceiros da UE”, sublinhou.

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