Israel reabre gradualmente espaço aéreo após ataques ao Irão e inicia hoje repatriamento em massa

Esspaço aéreo israelita está fechado desde o passado sábado, quando Israel e os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar conjunta contra o Irão, operação que Teerão respondeu com mísseis e drones contra alvos israelitas e bases americanas na região

Francisco Laranjeira

Israel vai reabrir gradualmente o seu espaço aéreo a partir da noite desta quarta-feira, permitindo a retoma controlada das operações no Aeroporto Ben Gurion, em Telavive, com o objetivo de repatriar dezenas de milhares de cidadãos retidos no estrangeiro desde o início da escalada militar com o Irão. A informação foi avançada pela agência ‘Efe’ e confirmada por responsáveis israelitas citados pelo ‘Times of Israel’.

O espaço aéreo israelita está fechado desde o passado sábado, quando Israel e os Estados Unidos lançaram uma ofensiva militar conjunta contra o Irão, operação que Teerão respondeu com mísseis e drones contra alvos israelitas e bases americanas na região. Desde então, milhares de israelitas ficaram impedidos de regressar ao país devido à suspensão do tráfego aéreo.

Segundo a agência ‘Efe’, citada por vários meios internacionais, o plano aprovado pela ministra dos Transportes, Miri Regev, prevê a reabertura progressiva do Aeroporto Ben Gurion durante 24 horas por dia, com prioridade absoluta para voos de repatriamento.

“A nossa missão é trazer os israelitas de volta para casa em segurança”, afirmou a governante numa conferência de imprensa, acrescentando que a retoma das operações será feita de forma gradual e dependerá da evolução da situação de segurança.

Nas primeiras 24 horas da reabertura será autorizada a aterragem de um avião de passageiros por hora, com capacidade média para cerca de 200 pessoas. Se as condições operacionais e de segurança o permitirem, a frequência deverá aumentar posteriormente para dois aviões por hora ou para aeronaves de maior capacidade.

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De acordo com o plano apresentado pelas autoridades, o aeroporto funcionará ininterruptamente e poderá permitir o regresso de cerca de 8.000 a 10.000 passageiros por dia. Estima-se que o processo de repatriamento dos israelitas retidos no estrangeiro possa demorar entre uma semana e dez dias, caso a situação de segurança não se agrave.

Para acelerar o processo e evitar congestionamentos no terminal, os voos que aterrarem no Aeroporto Ben Gurion terão procedimentos simplificados. Os passageiros deverão permanecer em média entre 25 e 30 minutos no aeroporto, tempo suficiente para recolher bagagens e abandonar rapidamente o terminal através de transportes rodoviários ou ferroviários.

As autoridades determinaram também que, numa fase inicial, não serão autorizados passageiros em voos de saída destinados a repatriamento, precisamente para reduzir a permanência no aeroporto e minimizar riscos de segurança. A retoma gradual dos voos comerciais de saída será avaliada posteriormente, em função da evolução da situação militar.

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As companhias aéreas israelitas já começaram a preparar operações especiais para trazer de volta cidadãos retidos no estrangeiro. A transportadora El Al anunciou que iniciou o processo de realocação de passageiros com bilhetes emitidos pela companhia e pela subsidiária Sun Dor, prevendo voos de repatriamento a partir de 22 destinos internacionais.

Entre os pontos de partida previstos estão cidades como Nova Iorque, Miami e Los Angeles, nos Estados Unidos, bem como Bangkok e Phuket no Sudeste Asiático. Na Europa, os voos deverão partir de cidades como Atenas, Roma, Paris, Londres, Barcelona, Amesterdão, Munique, Zurique, Varsóvia e Budapeste, entre outras.

Outras companhias israelitas também se preparam para participar na operação. A Israir anunciou que planeia iniciar voos de repatriamento a partir desta quinta-feira, com o primeiro voo previsto para partir de Roma, seguindo-se ligações adicionais a partir de várias cidades europeias.

A decisão de reabrir parcialmente o espaço aéreo surge num contexto de forte escalada militar na região. A ofensiva conjunta de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, iniciada no sábado, visou — segundo Washington — eliminar “ameaças iminentes” do regime iraniano. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a operação como uma resposta a uma “ameaça existencial”.

O Irão confirmou entretanto a morte do líder supremo Ali Khamenei, assassinado durante os ataques, e decretou um período oficial de luto de 40 dias. Segundo o Crescente Vermelho iraniano, os bombardeamentos já provocaram 787 mortos, enquanto os Estados Unidos confirmaram também a morte de seis militares norte-americanos.

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Apesar da tensão militar, as autoridades israelitas afirmam que a reabertura do espaço aéreo é essencial para garantir o regresso dos cidadãos retidos no estrangeiro e restaurar gradualmente o funcionamento das ligações aéreas.

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