Israel expulsa UNRWA a partir de hoje e impede operações da agência da ONU para refugiados palestinianos. O que significa a proibição?

A partir de hoje, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA) ficará proibida de operar em Israel e Jerusalém Oriental, na sequência da entrada em vigor de duas leis aprovadas pelo parlamento israelita (Knesset). A decisão ameaça agravar a crise humanitária na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, deixando dezenas de milhares de palestinianos sem acesso a serviços essenciais de educação e saúde.

Pedro Zagacho Gonçalves

A partir de hoje, a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Médio Oriente (UNRWA) ficará proibida de operar em Israel e Jerusalém Oriental, na sequência da entrada em vigor de duas leis aprovadas pelo parlamento israelita (Knesset). A decisão ameaça agravar a crise humanitária na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, deixando dezenas de milhares de palestinianos sem acesso a serviços essenciais de educação e saúde.

As novas leis determinam que a UNRWA não pode manter escritórios, fornecer serviços ou realizar qualquer atividade dentro do território israelita, definição que, para Israel, inclui Jerusalém Oriental, ocupada desde 1967. Além disso, as autoridades israelitas ficam proibidas de manter qualquer contacto com a agência ou intermediários que atuem em seu nome.

A medida atinge diretamente o escritório da UNRWA na Cisjordânia, sediado em Jerusalém Oriental, que terá de ser desocupado de imediato. Com o encerramento, mais de 70 mil palestinianos perderão o acesso a serviços médicos, enquanto milhares de crianças ficarão sem acesso às escolas geridas pela agência.

Segundo o embaixador de Israel na ONU, Danny Danon, esta decisão é definitiva. “Israel vai terminar toda a colaboração, comunicação e contacto com a UNRWA ou qualquer pessoa a atuar em seu nome”, afirmou esta terça-feira antes de um debate no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Uma ofensiva contra a UNRWA
A expulsão da UNRWA surge num contexto de crescente hostilidade de Israel em relação à agência, acusada há anos de alegadas ligações ao Hamas e de perpetuar o estatuto de refugiado dos palestinianos. A situação agravou-se nas últimas semanas, quando Israel acusou 12 funcionários da UNRWA de estarem envolvidos nos ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023 e afirmou que cerca de 1.500 membros da agência são militantes do Hamas ou da Jihad Islâmica, o segundo maior grupo armado palestiniano.

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Estas acusações levaram vários países, incluindo os Estados Unidos, o Reino Unido e a Alemanha, a suspenderem temporariamente os financiamentos à UNRWA, o que coloca a agência em risco de colapso financeiro.

Impacto humanitário e crise em Gaza
O comissário-geral da UNRWA, Philippe Lazzarini, alertou que esta decisão terá consequências catastróficas para os palestinianos. “O cenário é desastroso e só vai aumentar a instabilidade e aprofundar o desespero no território palestiniano ocupado”, afirmou.

A expulsão da UNRWA torna ainda mais difícil a entrega de ajuda humanitária a Gaza, onde quase toda a população está deslocada e enfrenta uma crise sem precedentes. Israel, no entanto, rejeita qualquer cooperação com a agência e pretende que outras organizações assumam a distribuição da ajuda, o que ainda não foi concretizado.

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Desde o início da ofensiva israelita em Gaza, a 7 de outubro de 2023, foram mortos pelo menos 165 funcionários da UNRWA, tornando este o conflito mais letal da história da agência.

Israel versus ONU: crescente tensão diplomática
A decisão israelita surge num momento de forte tensão entre Israel e a ONU, com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu a acusar o secretário-geral da organização, António Guterres, de ter uma posição parcial em favor dos palestinianos. Israel chegou mesmo a declarar Guterres “persona non grata” no país.

A UNRWA, criada em 1949, um ano após a fundação do Estado de Israel, presta apoio a cerca de 5,9 milhões de refugiados palestinianos espalhados por Gaza, Cisjordânia, Síria, Líbano e Jordânia. A agência sobrevive através de doações internacionais, renovando o seu mandato a cada três anos, apesar da oposição crescente de Israel.

O futuro da UNRWA está agora em risco, enquanto Israel intensifica esforços para o desmantelamento total da agência, deixando milhões de palestinianos sem acesso a serviços básicos e sem uma alternativa clara para a crise humanitária que se agrava dia após dia.

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