O Iscte – Instituto Universitário de Lisboa lançou o “Atlas de Portugal na Europa”, uma nova plataforma interativa desenvolvida para assinalar os 40 anos da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), celebrados este ano.
Coordenado pelo IPPS-Iscte, em parceria com o Colabor, o projeto reúne indicadores comparativos sobre os países europeus em áreas como saúde, justiça, emprego, educação, habitação, ambiente ou mobilidade.
Disponível online através da plataforma Atlas de Portugal na Europa, o Atlas permite comparar dados de Portugal com os restantes países europeus e também com a média da União Europeia, oferecendo uma perspetiva detalhada da evolução do país nas últimas quatro décadas.
Segundo Isabel Flores, diretora executiva do IPPS-Iscte, a principal diferenciação da plataforma está na combinação entre análise estatística, contexto político e enfoque em políticas públicas. “A originalidade deste Atlas está em ser simultaneamente um instrumento de análise comparada, um observatório eleitoral e uma ferramenta de política pública, tudo com uma perspetiva nacional muito clara”, afirma.
A plataforma está organizada em três grandes secções. A primeira disponibiliza indicadores por país em diferentes áreas socioeconómicas. A segunda permite comparar países e regiões europeias, incluindo agrupamentos geopolíticos como Mediterrâneo, Escandinávia, Báltico ou Balcãs. Já a terceira secção é dedicada aos resultados eleitorais europeus desde 1986, analisando a evolução das diferentes famílias políticas no continente.
O Atlas integra ainda uma componente considerada inédita pelos responsáveis do projeto: a fusão entre indicadores socioeconómicos e dados eleitorais históricos, incluindo a filiação dos partidos nas famílias políticas europeias, como o PPE, S&D ou Renew Europe. De acordo com Isabel Flores, esta abordagem distingue a ferramenta de plataformas como o Eurostat ou o OECD.Stat, que apresentam exclusivamente dados estatísticos sem interação com o contexto político.
A diretora executiva do IPPS-Iscte destaca também o posicionamento assumido pela plataforma. “Não é um atlas europeu genérico, tem um ponto de vista declarado”, refere, acrescentando que o utilizador é convidado a interpretar os dados “a partir de Portugal”, criando uma narrativa analítica em vez de apenas um repositório de informação.
Entre os indicadores disponíveis encontram-se também métricas menos habituais, como o impacto das transferências sociais na redução da pobreza ou a desigualdade no valor das pensões entre mulheres e homens, numa lógica focada na análise de políticas públicas e na qualidade dos serviços prestados nos vários países europeus.




