A viabilização da Efacec está dependente de um acordo com os obrigacionistas da empresa, que têm de aceitar abdicar de receber já o valor que investiram. Só quando isso acontecer é que a empresa poderá avançar com a criação de uma sociedade veículo liderada pela Caixa Geral de Depósitos (CGD).
Porém, enquanto isso não acontece, Isabel dos Santos já aceitou ceder as suas acções aos bancos credores, avança o jornal Expresso. A empresária angolana, que detém uma posição de mais de 60% na Efacec via Winterfell, assinou um memorando com os bancos credores no sentido de libertar as suas acções para a sociedade veículo que será criada. A mesma publicação indica que Isabel dos Santos cedeu as acções a custo zero.
No entanto, recorde-se que as acções da investidora foram arrestadas pela Justiça portuguesa. Não se sabe ainda se o arresto foi ou será levantado na sequência desta decisão.
Embora relevante, o gesto de Isabel dos Santos não é determinante, na medida em que a luz verde dos obrigacionistas é essencial para o plano em cima da mesa para a Efacec – que se encontra com trabalhadores em lay-off desde 6 de Abril. O Expresso sublinha que os obrigacionistas compreendem um conjunto de investidores institucionais estrangeiros (grande parte espanhóis) que tomaram uma dívida de 58 milhões de euros em Julho do ano passado – uma emissão com maturidade de cinco anos e uma taxa de juro de 4,5%.
A operação realizada em 2019 inclui uma cláusula que lhes permite exigir o pagamento do investimento se a Efacec mudar de mãos. Algo que acontecerá se a sociedade veículo for criada. A cláusula só cairia por terra se o Estado optasse pela nacionalização da companhia: uma hipótese que, de acordo com o Expresso, chegou a ser equacionada antes de se avançar com a possibilidade de os bancos credores assumirem a posição de controladores temporários.
No entanto, em entrevista ao mesmo jornal, o ministro da Economia adiantou esta semana que a Efacec «é uma estratégica para o país, e o Governo assegurará que não desapareça». Fica no ar a possibilidade de uma nacionalização como último recurso.




