Isabel dos Santos, filha do ex-Presidente angolano e considerada a mulher mais rica de África, está a ser investigada, a par de várias figuras da elite angolana, há mais de oito anos pelo Departamento Central de Investigação e Acção Penal por branqueamento de capitais, num inquérito que não tem nenhum arguido constituído, revela o “Público”.
Além deste caso, corre no mesmo departamento um inquérito relacionado com a apreensão de uma transferência de 10 milhões de euros para a Rússia, alegadamente feita através de um testa-de-ferro de Isabel dos Santos, que foi ministro do seu pai. No entanto, as várias informações divulgadas no âmbito do caso Luanda Leaks não deram origem a qualquer nova investigação. «O Ministério Público não deixará de analisar toda a informação que tem vindo a público e de desencadear os procedimentos adequados no âmbito das suas atribuições», afirmou a Procuradoria-Geral da República, numa resposta escrita ao “Público”. O Ministério Público (MP) salientou, contudo, que «mantém uma estreita colaboração com a sua congénere angolana”, referindo que “dará seguimento aos pedidos de cooperação judiciária internacional que lhe sejam dirigidos».
O MP explicou ainda que muita da informação noticiada pelo Consórcio Internacional de Jornalismo de Investigação, que integra vários órgãos de comunicação social, entre os quais os portugueses “Expresso” e “SIC”, o “The Guardian” e o “The New York Times”, diz respeito a factos que ocorreram em Angola e no Dubai, sem qualquer ligação com Portugal, o que torna as autoridades portuguesas incompetentes para investigar os eventuais crimes em análise.
Nesta situação está o alegado desvio da Sonangol, entre Maio e Novembro de 2017, quando a filha do ex-presidente de Angola ainda estava na liderança da petrolífera estatal angolana, de, pelo menos, 115 milhões de dólares de fundos públicos para a conta de uma empresa offshore no Dubai, que será detida por uma amiga de Isabel dos Santos.
Sobre o facto de a conta da Sonangol no Eurobic Lisboa, banco de que a empresária angolana é a principal accionista, ter sido esvaziada em Novembro de 2017 (tinha 57 milhões de dólares) e ter ficado com saldo negativo no dia seguinte à sua demissão, o magistrado reconhece ao “Público” que alguns factos ocorreram em Portugal, mas as autoridades angolanas deveriam apresentar queixa ou pedir a cooperação de Portugal no âmbito de um processo aberto em Angola.





