IRS: Alterações beneficiam mais os rendimentos altos e aumentaram as desigualdades

As reformas no IRS em Portugal, implementadas no último ano, beneficiaram desproporcionalmente os escalões de rendimento mais altos. As mudanças, que incluíram a atualização dos escalões do IRS, a redução da taxa marginal do segundo escalão e o aumento do mínimo de existência, tinham como objetivo aliviar a carga fiscal, mas acabaram por favorecer mais os contribuintes com rendimentos mais elevados.

Executive Digest

As reformas no IRS em Portugal, implementadas no último ano, beneficiaram desproporcionalmente os escalões de rendimento mais altos. As mudanças, que incluíram a atualização dos escalões do IRS, a redução da taxa marginal do segundo escalão e o aumento do mínimo de existência, tinham como objetivo aliviar a carga fiscal, mas acabaram por favorecer mais os contribuintes com rendimentos mais elevados.

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A conclusão é do relatório anual da Comissão Europeia sobre fiscalidade na União Europeia, que revela que o impacto dessas medidas foi regressivo, com o rendimento disponível por adulto equivalente aumentando mais nos decis superiores de rendimento, revela o ‘Negócios’.

Enquanto os contribuintes no topo da distribuição tiveram um ganho de 0,87%, os da metade inferior beneficiaram de um aumento de apenas 0,45%. Essa discrepância contrasta com as expectativas iniciais e com as simulações do anterior Governo, que previam maiores ganhos para os rendimentos mais baixos.

O relatório também destaca que a análise nacional utilizou pressupostos diferentes, não tendo em consideração a distribuição de rendimentos por decis ou a figura do adulto equivalente. As medidas, apesar de esperadas para promover progressividade, acabaram por aumentar a desigualdade na distribuição de rendimentos, resultando numa esperada subida marginal no índice de Gini e numa redução modesta da taxa de risco de pobreza.

Além de Portugal, as reformas fiscais em outros países europeus, como a Áustria e a Lituânia, também foram analisadas, com conclusões semelhantes em termos de impacto nas desigualdades, mas com maior sucesso relativo na redução da pobreza.

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