A Ucrânia afirmou nas Nações Unidas que a Rússia precisaria de mobilizar milhões de soldados adicionais para ocupar totalmente o território ucraniano, defendendo que o custo humano da ofensiva tornou esse objetivo insustentável.
A declaração foi feita pelo representante permanente da Ucrânia junto da ONU, Andrii Melnyk, durante uma reunião do Conselho de Segurança, relatou o ‘Kyiv Post’.
Segundo a publicação ucraniana, Melnyk garantiu que Kiev rejeita ultimatos russos e não aceitará ceder qualquer parcela do país. “A Ucrânia nunca abandonará um único milímetro quadrado da sua terra”, afirmou o diplomata.
O cálculo apresentado por Kiev
Durante a intervenção, Melnyk apresentou contas sobre o custo militar da campanha russa, defendendo que Moscovo perde, em média, 254 soldados por cada quilómetro quadrado conquistado.
Com base nessa estimativa, argumentou que a ocupação integral da região de Donetsk exigiria pelo menos 1,5 milhões de militares russos adicionais.
Já uma tentativa de ocupar toda a Ucrânia seria, nas palavras do representante ucraniano, “irrealista”, podendo demorar décadas e implicar perdas humanas massivas.
“Rússia queima a própria população”
O diplomata acusou ainda o Kremlin de sacrificar a própria população em troca de ganhos territoriais limitados.
Segundo o ‘Kyiv Post’, Melnyk afirmou que a Rússia está a “queimar a própria população” numa estratégia militar marcada por elevado desgaste humano e avanços lentos no terreno.
Guerra de desgaste no leste
Nos últimos meses, a guerra na Ucrânia tem sido caracterizada por progressos territoriais reduzidos e combates intensos, sobretudo no leste do país, em zonas como Donetsk.
Autoridades ocidentais e ucranianas têm repetidamente sustentado que a ofensiva russa avança a um custo humano muito elevado, enquanto Moscovo continua a pressionar por concessões territoriais como condição para negociações.
Kiev mantém linha vermelha
A Ucrânia tem rejeitado essas exigências e insiste que qualquer acordo de paz terá de respeitar a integridade territorial do país.
A intervenção nas Nações Unidas reforça essa posição num momento em que os combates continuam e cresce a pressão diplomática internacional para procurar uma solução negociada.



