Irmãos Tate estão presos nos EUA e Trump tem um problema: Reino Unido e Roménia querem julgá-los

Andrew e Tristan Tate estão presos em Miami desde 18 de julho, depois de terem sido detidos a pedido das autoridades britânicas

Francisco Laranjeira

Andrew Tate acreditava que a chegada de Donald Trump à Casa Branca poderia jogar a seu favor. Em fevereiro de 2025, chegou a celebrar nas redes sociais: “Os Tates serão livres, Trump é presidente. Os bons tempos voltaram.” Agora, porém, é precisamente a Administração Trump que tem nas mãos uma decisão capaz de criar um delicado problema diplomático entre Estados Unidos, Reino Unido e Roménia.

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Andrew e Tristan Tate estão presos em Miami desde 18 de julho, depois de terem sido detidos a pedido das autoridades britânicas. O Reino Unido pretende extraditá-los para responderem perante a Justiça a dezenas de acusações relacionadas com alegados crimes sexuais e tráfico de pessoas. Os dois irmãos negam as acusações.

O problema é que a história não envolve apenas Washington e Londres. A Roménia também quer julgar os irmãos e existe já uma decisão judicial que previa que qualquer extradição para território britânico só acontecesse depois de terminado o processo romeno, segundo explica o ‘El Confidencial’.

59 acusações no Reino Unido

A situação judicial dos Tate agravou-se depois de terem sido autorizadas mais 38 acusações no Reino Unido, elevando para 59 o número total de acusações contra os dois irmãos.

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Andrew Tate enfrenta, entre outras, sete novas acusações de violação, três de agressão com lesão corporal, três relacionadas com organização ou facilitação de tráfico de pessoas e 19 ligadas a imagens indecentes de menores e pornografia extrema. Tristan Tate enfrenta uma nova acusação de agressão sexual, duas de violação e três relacionadas com tráfico de pessoas.

Os processos britânicos envolvem sete alegadas vítimas e factos que terão ocorrido entre 2010 e 2017.

O problema está na Roménia

Os irmãos vivem na Roménia desde 2015 e são investigados naquele país desde dezembro de 2022 por suspeitas de violação, tráfico de pessoas e participação numa organização criminosa. Chegaram a passar três meses em prisão preventiva e outros quatro em prisão domiciliária.

Entretanto, o Reino Unido pediu a extradição dos dois à Roménia. O Tribunal de Apelação de Bucareste aprovou o mandado britânico, mas estabeleceu uma condição fundamental: a transferência dos irmãos só deveria ocorrer depois de concluído o processo criminal romeno.

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Foi neste contexto que, no início de 2025, as autoridades romenas levantaram as restrições que impediam os Tate de sair do país, permitindo-lhes viajar para os Estados Unidos. A decisão não significou, porém, o fim dos processos na Roménia.

E é precisamente isso que transforma a atual extradição num problema potencialmente delicado.

Se os EUA os enviarem diretamente para Londres, o que acontece à Roménia?

Tudorel Toader, antigo ministro da Justiça e antigo juiz do Tribunal Constitucional romeno, explicou ao ‘El Confidencial’ que uma eventual extradição direta dos Estados Unidos para o Reino Unido poderá criar uma situação jurídica complexa.

A Roménia já aceitou entregar os irmãos às autoridades britânicas, mas apenas depois de os seus próprios tribunais terminarem o processo. Se Washington os enviar diretamente para Londres, coloca-se a questão de saber como será respeitada essa decisão e quando poderão os Tate regressar à Roménia para responder perante a Justiça.

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“Londres ficaria numa situação delicada”, explicou Toader, sobretudo porque existe uma decisão definitiva de um tribunal romeno que estabelece a ordem pela qual os processos deveriam decorrer.

E é aqui que Trump entra na história

O caso tem ainda uma dimensão política particularmente sensível para a Casa Branca.

Em 2025, uma investigação do ‘Financial Times’ revelou que a Administração Trump tinha pressionado as autoridades romenas para levantarem as restrições de viagem impostas aos irmãos. Andrew Tate nunca escondeu a simpatia pelo atual presidente dos Estados Unidos e comemorou publicamente a sua chegada à Casa Branca.

Agora, os papéis inverteram-se: os irmãos estão presos nos Estados Unidos e é a Justiça americana que terá de decidir se os entrega ao Reino Unido.

A Casa Branca já procurou afastar qualquer suspeita de interferência. Questionada sobre o processo, a secretária de imprensa Karoline Leavitt garantiu, a 23 de julho, que Trump não pretende intervir na decisão sobre a extradição.

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O que acontece agora?

A próxima data importante está marcada para 13 de agosto. Um juiz da Florida deverá decidir se Andrew e Tristan Tate continuam detidos enquanto contestam a extradição ou se podem aguardar o desenrolar do processo em liberdade.

Os procuradores federais de Miami defendem que os dois permaneçam presos, alegando risco de fuga e perigo para a comunidade. O pedido integral de extradição britânico poderá ser apresentado até 16 de setembro.

A cidadania americana dos irmãos também não lhes permite escolher onde serão julgados ou onde cumprirão uma eventual pena. Caso sejam condenados no Reino Unido, deverão cumprir aí a pena britânica; uma eventual condenação na Roménia implicaria, em princípio, o cumprimento da respetiva sentença naquele país.

A atual prisão nos Estados Unidos está relacionada apenas com o processo de extradição.

De aliado ideológico a problema para a Casa Branca

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Andrew Tate tornou-se uma das figuras mais conhecidas da chamada “manosfera”, construindo uma audiência de milhões de seguidores com uma imagem assente em carros de luxo, dinheiro, masculinidade e discursos polémicos sobre mulheres.

Na Roménia, as autoridades sustentam que os irmãos terão recrutado mulheres através de relações sentimentais antes de as explorarem sexualmente em negócios online. Andrew Tate criou ainda a “War Room”, uma comunidade pela qual, segundo a investigação citada pelo ‘El Confidencial’, jovens chegavam a pagar 8.000 euros e onde seriam ensinadas técnicas para recrutar e manipular mulheres.

Durante anos, Tate apresentou Trump aos seus seguidores como símbolo de uma mudança política que poderia beneficiá-lo. A frase publicada em 2025 parecia resumir essa convicção: “Os Tates serão livres, Trump é presidente.”

Ano e meio depois, a situação é bastante diferente. Andrew e Tristan Tate estão numa prisão de Miami, Londres quer levá-los para o Reino Unido e Bucareste ainda tem processos para concluir.

E a Administração Trump encontra-se agora no meio de uma batalha judicial em que qualquer caminho terá consequências: decidir se os Tate atravessam o Atlântico rumo ao Reino Unido sem deixar para trás a promessa feita à Justiça romena.

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