Irão vai processar Trump por morte do general Soleimani e tem hipótese de vencer

O Irão quer processar o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump pela morte de Qasem Soleimani, o general iraniano abatido pelas tropas norte-americanas. O anúncio foi feito por Gholam Hossein Esmaeili, porta-voz da autoridade judiciária iraniana, segundo a agência iraniana Tasnim, citada pela “CNN”.

Executive Digest

O Irão quer processar o Presidente dos Estados Unidos Donald Trump pela morte de Qasem Soleimani, o general iraniano abatido pelas tropas norte-americanas. O anúncio foi feito por Gholam Hossein Esmaeili, porta-voz da autoridade judiciária iraniana, segundo a agência iraniana Tasnim, citada pela “CNN”.

Esmaeili disse que vão avançar com processos nos tribunais iranianos, no Iraque «onde ocorreu o crime» – e no Tribunal Penal Internacional «contra os militares, o Governo americano e contra Trump». «Não há dúvidas de que os Estados Unidos cometeram um acto de terrorismo. (…) Trump confessou», vincou, acrescentando que «Trump até pode ser chamado depois doo fim da sua presidência e ser processado de acordo com o artigo 8.º da lei pena islâmica».

O presidente dos Estados Unidos, recorde-se, ordenou um ataque aéreo contra o aeroporto internacional de Bagdad na noite de 2 de Janeiro, que resultou na morte do comandante da força de elite iraniana. Desde então, o Irão jurou vingança política, militar e legal pelo que definem como o «assassinato ilegal de um dos seus maiores heróis».

Tudo se complicou o com o avião da Ukrainian Airlines que foi abatido, por erro, por um míssil iraniano, matando todas as 176 pessoas a bordo. A queda do avião ocorreu quando o Irão se preparava para uma potencial retaliação americana, pela morte de Soleimani, numa base usada por forças norte-americanas no Iraque.

Agora, depois de o chefe de Estado norte-americano ter assegurado que os Estados Unidos «estão prontos para abraçar a paz com todos os que a procuram», um especialista citado pelo “Business Insider” disse que, embora o país não seja signatário do Tribunal Penal Internacional, há hipóteses de o Irão vencer a batalha.

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Agnes Callarmard, a repórter especial das Nações Unidas explica que, «muito provavelmente, as mortes de Qasem Soleimani e Abu Mahdi al Muhandi [o chefe paramilitar iraquiano que acompanhava o general] violam o direito internacional [incluindo] a lei dos direitos humanos», escreveu na rede social Twitter. E reforçou: «As justificações legais para tais assassinatos são definidas de forma muito restrita e é difícil imaginar como qualquer uma delas pode aplicar-se nestes casos».  Num outro tweet, desmentiu as alegações da administração Trump que reiteravam uma ameaça «iminente» de Soleimani.

«O plano a longo prazo do Irão é manter a distância com os americanos e a Europa», disse ao “Business Insider” um antigo militar da OTAN, sob a condição de anonimato. «À primeira vista, o assassinato de Soleimani pelas razões apontadas por Trump é ilegal», acrescentou.

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