O embaixador iraniano na ONU disse estar “cautelosamente otimista” quanto ao desfecho das negociações com Washington, argumentando que, se os norte-americanos mantiverem uma abordagem construtiva e racional, as conversações poderão ter um “resultado significativo”.
“Estamos convencidos de que, se os Estados Unidos adotarem uma abordagem construtiva e racional, se evitarem avançar com quaisquer exigências contrárias ao direito internacional, estas negociações podem conduzir a um resultado significativo”, disse Amir-Saeid Iravani numa sessão da Assembleia Geral convocada após o veto da Rússia e da China a uma resolução sobre o estreito de Ormuz.
“Apesar da nossa profunda desconfiança em relação aos Estados Unidos, devido às suas repetidas traições à diplomacia, empenhámo-nos, no entanto, nas negociações de boa-fé e continuamos cautelosamente otimistas”, continuou.
Um dos pontos de tensão nas negociações pode ter sido levantado agora que foi anunciado um cessar-fogo de 10 dias no Líbano pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.
Trump anunciou o cessar-fogo de dez dias no Líbano após falar com os líderes israelita e libanês, dando seguimento aos primeiros contactos entre os dois países com vista a um acordo de paz.
Washington e Teerão poderão realizar uma segunda ronda de negociações em breve, depois de a primeira ter terminado sem acordo, após mais de 21 horas de reuniões em Islamabad.
Esta quarta-feira, o chefe do Exército paquistanês, o marechal de campo Asim Munir, deslocou-se ao Irão para se reunir com as autoridades do país a fim de, segundo os meios de comunicação iranianos, lhes transmitir uma mensagem de Washington e preparar a segunda ronda de conversações nos próximos dias no Paquistão.
Por seu lado, a Casa Branca afirmou estar otimista quanto às perspetivas de se chegar a um acordo.
O embaixador do Irão junto da ONU afirmou que Teerão “acolhe com agrado e apoia qualquer esforço diplomático” para alcançar a paz e referiu-se diretamente ao Paquistão, à Turquia, ao Egito e à Arábia Saudita, bem como à China e à Rússia.
“Qualquer solução viável deve garantir um fim definitivo e irreversível da agressão e deve criar uma paz justa e duradoura, assente em garantias credíveis e verificáveis que protejam contra qualquer recorrência do conflito”, afirmou.
Neste sentido, Iravani classificou a iniciativa vetada, que instava à coordenação de esforços para garantir a segurança da navegação no estreito de Ormuz, como unilateral e salientou que “ignorava a verdadeira causa da crise”, que, na sua opinião, é “a guerra selvagem e ilegal de agressão dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão”.
Na mesma sessão da Assembleia Geral da ONU a China e a Rússia justificaram o seu veto à proposta apresentada pela Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Kuwait e Qatar, que instava à coordenação de esforços para garantir a segurança de navegação no estreito de Ormuz.
A resolução exigia que o Irão cessasse imediatamente os ataques contra navios comerciais e promovia a escolta de embarcações.
A China e a Rússia voltaram a defender hoje o seu veto, após terem argumentado que o texto não era equilibrado e que não abordava as causas do conflito.












