Irão: Teerão diz que retribuirá se EUA optarem por uma “linguagem de força”

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano advertiu hoje o Presidente norte-americano, Donald Trump, que o Irão responderá da mesma forma caso Washington optar pela “linguagem da força”.

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 20, 2026
18:46

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano advertiu hoje o presidente americano, Donald Trump, que o Irão responderá da mesma forma caso Washington optar pela “linguagem da força”.


“Se falarem com o povo iraniano com a linguagem do respeito, responderemos com a mesma linguagem. Mas se nos falarem com a linguagem da força, responderemos com a mesma linguagem”, disse Abbas Araghchi, numa entrevista na estação televisiva norte-americana MS Now.


“Acho que os iranianos provaram ser um povo muito orgulhoso. Só respondemos à linguagem do respeito e é assim que podem falar connosco, e verão o resultado”, adiantou.


Na entrevista, o apresentador, Joe Scarborough, instou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão a enviar uma mensagem a Trump.


“As administrações anteriores dos Estados Unidos, incluindo a atual administração, tentaram quase tudo contra nós: uma guerra, sanções, restabelecimento de sanções, tudo. Mas nada disso funcionou”, respondeu Araghchi.


O chefe da diplomacia iraniana destacou que Washington e Teerão estão a discutir “como garantir que o programa nuclear do Irão, incluindo o enriquecimento, seja pacífico e permaneça pacífico para sempre e, em troca, o Irão obtenha a retirada das sanções”.


O ministro negou que haja um ultimato de Washington sobre a contraproposta do Irão, mas insistiu que o que ambas as partes querem é um acordo rápido em que os dois países saíssem a ganhar.


Araghchi disse também que em dois ou três dias Teerão iria apresentar aos Estados Unidos um projeto de acordo sobre as ambições nucleares iranianas.


Trump disse hoje à imprensa, no início de uma reunião com governadores na Casa Branca, que estava a considerar um “ataque militar limitado” para pressionar o Irão a chegar a um acordo sobre o seu programa nuclear.


Os EUA aceleraram o seu destacamento militar no Médio Oriente, mesmo depois de Washington e Teerão terem informado sobre progressos durante as conversações na Suíça sobre o programa de enriquecimento nuclear do Irão.


Por seu lado, o Irão advertiu ontem a ONU que qualquer base dos Estados Unidos a partir da qual fossem lançados ataques seria considerada um alvo legítimo.


Teerão e Washington realizaram na terça-feira, em Genebra, uma segunda ronda de conversações sob a mediação do sultanato de Omã.


As partes concordaram em prosseguir as discussões, embora sublinhando que estão longe de aproximar posições.


As discussões foram retomadas em 06 de fevereiro em Omã, as primeiras desde a guerra de junho, desencadeada por um ataque israelita contra o Irão, apoiado pelos Estados Unidos, que bombardearam instalações nucleares iranianas.


Os Estados Unidos exigem que o Irão renuncie ao enriquecimento de urânio e afirmam que um acordo deve abranger também o programa iraniano de mísseis balísticos e o apoio de Teerão a grupos armados hostis a Israel.


Teerão afirma querer discutir apenas o programa nuclear.


Nos últimos dias, os Estados Unidos enviaram para o Médio Oriente um destacamento militar que poderá preparar ser usado para uma campanha de ataques contra o Irão.


O Irão informou na quinta-feira o secretário-geral da ONU, António Guterres, que responderá a qualquer agressão militar e que considerará as bases e ativos de “forças hostis” na região como alvos legítimos.


 

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