O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão convocou hoje o embaixador do Reino Unido para contestar uma lei britânica que visa a Guarda Revolucionária, o exército ideológico da República Islâmica, informou a agência de notícias IRNA.
“Qualquer legislação hostil que vise a República Islâmica do Irão será recebida com uma resposta firme e recíproca”, declarou um funcionário do Ministério encarregue de assuntos europeus, citado pela agência.
Na segunda-feira, o governo de Londres anunciou um projeto de lei que designa a Guarda Revolucionária como uma organização que representa uma ameaça à segurança do país, para intensificar os esforços de combate às suas atividades.
A legislação, que deve ser votada pelo parlamento britânico esta semana, visa também o “corpo de voluntários” do GRU, a agência de inteligência militar estrangeira da Federação Russa, e contempla eventuais penas de prisão.
“Qualquer pessoa considerada culpada de apoiar ou ajudar esses grupos agora enfrenta uma pena de até 14 anos de prisão” declarou o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, na segunda-feira.
A medida surge após um grupo designado Movimento dos Companheiros da Mão Direita do Islão (IMCR, na sigla em inglês) ter reivindicado sete ataques em solo britânico, em locais associados à comunidade judaica ou a Israel e na sede do órgão de comunicação social Iran International, que publica em língua persa a partir de Londres.
O Ministério do Interior do Reino Unido declarou que “membros da força Quds da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão estão por detrás do IMCR e orquestraram, quase de certeza, os ataques do IMCR em toda a Europa”.
Segundo o ministério, a legislação vai fortalecer “a capacidade do governo para combater ameaças ligadas a Estados estrangeiros, incluindo espionagem, interferência estrangeira, sabotagem e ataques físicos”.
As relações entre o Irão e o Reino Unido têm estado tensas nos últimos anos.
Lindsay e Craig Foreman, casal britânico preso no Irão durante uma viagem em 2025, foram acusados de espionagem e condenados a 10 anos de prisão em fevereiro, tendo negado as acusações.
A República Islâmica também se opõe fortemente a veículos de comunicação sediados em Londres que considera hostis, como o serviço em persa da BBC e o canal Iran International, que Teerão já classificou como organização “terrorista”.
Na semana anterior, as autoridades iranianas negaram as acusações relativas à condenação de dois homens por terem esfaqueado um jornalista da Iran International, num ato supostamente cometido “em nome do Irão”.













