Irão reconstrói capacidade militar mais depressa do que Israel previa: EUA também foram surpreendidos

Avaliação ganha particular relevância numa altura em que a guerra se aproxima dos seis meses e em que o programa de mísseis iraniano continua a representar uma das principais ameaças para Israel e para as forças dos EUA presentes na região

Francisco Laranjeira

Responsáveis militares e dos serviços de informações de Israel terão sido surpreendidos pela velocidade com que o Irão está a reconstruir as suas capacidades militares depois das primeiras semanas da guerra iniciada este ano. As preocupações concentram-se, em particular, na recuperação do arsenal de mísseis balísticos e da capacidade de produção de drones.

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Segundo o ‘The Independent’, que cita informações do ‘Jerusalem Post’, responsáveis de topo da defesa israelita admitem que Teerão encontrou formas de reconstituir algumas das suas capacidades ofensivas mais depressa do que inicialmente previsto, apesar dos ataques realizados contra instalações e estruturas militares iranianas.

A avaliação ganha particular relevância numa altura em que a guerra se aproxima dos seis meses e em que o programa de mísseis iraniano continua a representar uma das principais ameaças para Israel e para as forças dos EUA presentes na região.

De 1.300 para 2.500 mísseis

As estimativas citadas pelo jornal israelita ajudam a explicar a preocupação. O Irão teria cerca de 1.300 mísseis em junho de 2025, quando Israel e os Estados Unidos atacaram o país. No início da atual guerra, em fevereiro deste ano, esse número teria aumentado para cerca de 2.500.

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O ‘Jerusalem Post’ afirma ainda ter confirmado declarações de altos responsáveis iranianos segundo as quais o país está atualmente a produzir novas armas a um ritmo superior ao esperado.

E Israel não terá sido o único surpreendido. Quatro responsáveis dos EUA disseram à ‘CNN’, em maio, que os serviços de informações americanos concluíram que o Irão estava a superar os prazos previstos para reconstruir as capacidades perdidas durante os ataques.

Drones poderiam ser recuperados em apenas seis meses

Uma das avaliações dos serviços de informações dos EUA apontava para que Teerão pudesse recuperar totalmente a capacidade de ataque com drones num prazo de seis meses, ou seja, até novembro.

Duas fontes familiarizadas com estas avaliações disseram ainda à ‘CNN’ que a China continuou a fornecer ao Irão componentes utilizados na construção de mísseis. O bloqueio imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos poderá, contudo, ter dificultado esse abastecimento.

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A recuperação acontece depois de o Irão ter lançado mísseis contra Israel no início de junho e de, em julho, ter voltado a atacar países árabes da região. Teerão tem sido também acusado de ataques contra embarcações no Estreito de Ormuz, cuja circulação continua no centro do conflito.

Enquanto o Irão recupera, arsenais dos EUA diminuem

Do outro lado, a duração e intensidade da guerra estarão a provocar um problema diferente aos Estados Unidos: a redução dos seus próprios arsenais de armamento de precisão.

Fontes citadas pela ‘Reuters’ afirmaram este mês que Washington terá utilizado “praticamente todos” os seus mísseis ATACMS e Precision Strike Missile disponíveis para o conflito.

A redução destas reservas poderá ter consequências caso Donald Trump decida retomar ataques de grande escala contra o Irão. Com menos armamento de precisão de longo alcance disponível, os EUA poderão ter de recorrer mais frequentemente a missões de bombardeamento realizadas por aeronaves tripuladas, aumentando os riscos das operações.

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Israel garante ter causado danos significativos

As Forças de Defesa de Israel contestam, no entanto, a ideia de que Teerão esteja simplesmente a recuperar todo o poder militar que possuía antes da guerra.

Em resposta às informações sobre a preocupação israelita, as forças armadas disseram ao ‘Jerusalem Post’ que provocaram danos substanciais numa “vasta gama” de capacidades militares iranianas, afetando também a possibilidade de estas serem reconstruídas à mesma escala e velocidade existentes antes do conflito.

Israel reconhece, porém, que acompanha “de forma próxima e contínua” os esforços iranianos para reconstruir essas capacidades e que as avaliações militares são permanentemente atualizadas de acordo com aquilo que acontece no terreno.

As forças israelitas recusaram revelar estimativas concretas sobre a velocidade da recuperação, argumentando que isso poderia expor fontes e métodos dos serviços de informações.

A evolução deixa, ainda assim, um sinal preocupante para Israel e para Washington: depois de meses de ataques destinados a degradar a capacidade militar iraniana, Teerão poderá estar a reconstruir parte do seu poder de fogo significativamente mais depressa do que os adversários antecipavam.

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