“Um dos efeitos deste conflito na nossa dinâmica económica pode ser o aumento do preço dos combustíveis. Estamos em condições de dizer que, caso se verifique uma subida de preço da gasolina 95 e gasóleo superiores a 10 cêntimos face ao valor desta semana, o Governo vai introduzir um desconto extraordinário e temporário do ISP – Imposto sobre Produtos Petrolíferos e Energéticos – para compensar o adicional de receita do IVA, devolvendo todo esse adicional aos portugueses”, anunciou esta tarde Luís Montenegro.
Recorde-se que o secretário-geral da EPCOL – Empresas Portuguesas de Combustíveis e Lubrificantes – afirmou hoje que a escalada das cotações do petróleo, na sequência do conflito no Irão, deverá ter reflexos nos preços de venda ao público, caso a tendência se mantenha ao longo da semana. António Comprido comentou que as cotações do crude, da gasolina e do gasóleo registaram “um aumento expressivo” nos últimos dias, acompanhando a tensão no Médio Oriente, que poderá refletir-se num “agravamento significativo” no preço dos combustíveis.
“Neste momento, ainda só temos a cotação de ontem [segunda-feira] e hoje, que está a fechar, mas de facto assistimos a um aumento significativo das cotações, quer do crude, quer dos produtos refinados”, afirmou o responsável da entidade que representa as empresas de combustíveis e lubrificantes em Portugal.
“Se se mantiver esta alta de preços ao longo desta semana, e infelizmente os acontecimentos no Irão não anteveem nada de bom, inevitavelmente isso vai-se repercutir depois nos preços de venda ao público em Portugal”, disse, sublinhando que o efeito será sentido “em Portugal e no resto do mundo”.
Na passada segunda-feira, o ministro da Economia admitiu que o aumento do preço do petróleo “não é uma boa notícia” e assegurou que o executivo irá, se for necessário, tomar as medidas adequadas para que a economia funcione.
A vice-presidente da ANAREC – Associação Nacional de Revendedores de Combustíveis – Mafalda Trigo afirmou, esta terça-feira, ser incontornável um aumento dos preços nas bombas de gasolina, por força da escalada do petróleo e do gás devido ao conflito no Médio Oriente, admitindo a possibilidade de o gasóleo ficar mais de 10 cêntimos mais caro já a partir da próxima segunda-feira.
“Já na próxima semana deverá haver aumentos consideráveis”, afirmou, sinalizando que, à luz das previsões, o gasóleo poderá “aumentar a um valor acima de 10 cêntimos”, embora ressalvando que “só na sexta-feira, quando encerrarem os mercados, é que se vai ter uma noção concreta de quanto irão aumentar os combustíveis”.
PS exige mais medidas ao Governo, Montenegro rejeita
“Teremos de aguardar o desenrolar dos acontecimentos para tomarmos as medidas mais adequadas. Antecipámos aquela que pode ter um impacto mais imediato já nos próximos dias [o ISP]. Se a cada movimento houver um leilão de reivindicações, não terá o Governo ao lado”, apontou Montenegro, numa resposta ao secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, que questionou sobre a descida do IVA nos bens essenciais e intervenção do Executivo nos créditos habitação.
Hugo Soares, líder da bancada parlamentar do PSD, assinou por baixo. “Deve o Governo estar preparado? Deve. Agora dizer-se que o primeiro-ministro deve estar preparado para fazer a baixa do IVA dos produtos alimentares sem se saber o que vai acontecer na próxima semana ou no próximo mês, isso é meramente tática eleitoral. Não queremos eleitoralismo ou populismo”, rematou.
Portugal ao lado dos EUA, garante primeiro-ministro
O primeiro-ministro está hoje na Assembleia da República para um debate quinzenal que foi aberto pelo PS e que está a ser marcado pelo conflito com o Irão e as condições de utilização pelos EUA da Base das Lajes. Nesse propósito, “tendo havido uma ação militar dos EUA, Portugal não acompanhou, não subscreveu nem esteve envolvido nessa ação militar, mas não quer dizer que não esteja a acompanhar desde a primeira hora”.
“Por isso, em função deste alinhamento, é preciso dizer que entre um conflito onde estão envolvidos um aliado e um parceiro de Portugal, membro da NATO, e com o qual temos uma relação bilateral muito extensa, incluindo no plano da Defesa, face a outro país envolvido que viola de forma reiterada o Direito Internacional, que tem em curso um programa nuclear e de armamento de mísseis balísticos de longo alcance… nesse contexto, não haja dúvidas que Portugal tem objetivamente uma relação muito mais próxima com o nosso aliado”, apontou o primeiro-ministro, reforçando que “a primeira prioridade de Portugal é a proteção e segurança dos portugueses que residem ou se encontram naquela região”.
“Temos dois meios aéreos na região, em contacto permanente com a UE e com companhias aéreas e dos Governos dos países vizinhos”, apontou. “Estamos a usar todas as capacidades, a nossa e a dos parceiros europeus, para ajudar os portugueses.”









