O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão deixou hoje Islamabad, no Paquistão, após um longo dia de reuniões com altos funcionários militares e civis paquistaneses, sem esperar pela chegada dos enviados do Governo norte-americano para retomar negociações de paz.
O governante iraniano Abbas Araghchi reuniu-se com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, com o chefe do Exército paquistanês, Asim Munir, e com outros altos funcionários, segundo indicaram responsáveis paquistaneses, em declarações à agência de notícias Associated Press, sob a condição de anonimato por não estarem autorizados a falar com a imprensa.
Os mesmos responsáveis paquistaneses adiantaram que o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão deixou Islamabad hoje à noite (no Paquistão são mais quatro horas do que em Lisboa), sem esperar pelos enviados dos Estados Unidos, que tinham previsto, inicialmente, partir na manhã deste sábado para a capital paquistanesa.
A visita de Araghchi ao Paquistão aconteceu no meio das tensões regionais e dos esforços de Islamabad para facilitar uma segunda ronda de negociações entre os Estados Unidos e o Irão.
Segundo fontes diplomáticas paquistanesas que falaram à agência de notícias EFE, o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, que tinha indicado desde o início que a sua viagem não incluía reuniões com representantes dos Estados Unidos, deixou o Paquistão com a sua delegação rumo a Omã, a próxima paragem na sua viagem, que o levará também à Rússia.
Araghchi chegou a Islamabad na sexta-feira à noite, após um anúncio que gerou grandes expetativas para o retomar das negociações de paz. No entanto, as negociações foram paralisadas devido à recusa de Teerão em dialogar com os Estados Unidos, a não ser que Washington levantasse o embargo aos portos iranianos e à navegação comercial.
Na sexta-feira, a administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou que os seus representantes nessas negociações, Jared Kushner e Steve Witkoff, viajariam para Islamabad.
Segundo a agência EFE, nas reuniões com primeiro-ministro do Paquistão, com o chefe do Exército paquistanês e, também, com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Muhammad Ishaq Dar, o governante iraniano transmitiu as posições fundamentais do Irão relativamente aos últimos desenvolvimentos relacionados com o cessar-fogo e o fim definitivo do conflito.
Vários órgãos de comunicação social paquistaneses noticiaram, no final das reuniões, que, entre outras coisas, os iranianos manifestaram as suas “totais reservas” em relação às exigências dos Estados Unidos e que o que solicitam é “o levantamento do bloqueio e a cessação dos ataques americanos”.
Além disso, como já tinham noticiado antes de chegarem a Islamabad, os iranianos afirmaram que “não haverá um encontro direto com a delegação dos Estados Unidos da América”.
Na sexta-feira, os Estados Unidos argumentaram que os seus enviados estavam a viajar para Islamabad depois de terem recebido um pedido iraniano para retomar as negociações presenciais e depois de terem identificado “algum progresso” por parte de Teerão.
As autoridades iranianas negaram categoricamente esta avaliação dos Estados Unidos e mantiveram desde o início que tal encontro não se realizaria.
A presença de Araqchi em Islamabad é, em todo o caso, um passo em frente no contexto das conversações de paz, originalmente agendadas para a passada quarta-feira, mas suspensas devido à recusa do Irão em viajar para lá a menos que os Estados Unidos suspendessem o bloqueio naval.



