Governo alemão atribui fracasso das negociações a má preparação

O chanceler alemão, Friedrich Merz, atribuiu hoje o fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o fim da guerra no Médio Oriente a uma preparação insuficiente.

Executive Digest com Lusa

O chanceler alemão, Friedrich Merz, atribuiu hoje o fracasso das negociações entre os Estados Unidos e o Irão sobre o fim da guerra no Médio Oriente a uma preparação insuficiente.

“Não me surpreendeu a decisão de suspender as conversações em Islamabad”, declarou Merz sobre a falta de acordo após 20 horas de negociações realizadas no fim de semana na capital do Paquistão.

“Desde o princípio não tive a impressão de que estivessem realmente bem preparadas”, disse o chefe do Governo da Alemanha, citado pela agência de notícias espanhola Europa Press (EP).

Merz disse que as autoridades de Berlim estavam em contacto com os Estados Unidos e Israel, e advertiu que o processo será ainda mais longo face ao insucesso em Islamabad.

“Continuará a ser um processo longo, e continuaremos a sentir as consequências desta guerra durante muito tempo, mesmo quando tiver terminado”, considerou, em referência às consequências económicas do conflito.

Continue a ler após a publicidade

Merz avisou os alemães de que haverá durante um período prolongado “uma carga considerável também para a economia alemã e (…) também para os agregados familiares”.

Prometeu fazer o que estiver ao alcance do Governo para “manter e melhorar” a competitividade da economia alemã e aliviar a situação das famílias.

“Não é fácil. Nem tudo correrá bem. Não podemos resolver todas as crises do mundo com dinheiro da Alemanha”, reconheceu.

Continue a ler após a publicidade

O Governo alemão anunciou hoje medidas adicionais de apoio face à escalada dos preços da energia avaliadas em 1,6 mil milhões de euros, que incluem a redução durante dois meses do imposto sobre combustíveis.

Merz afirmou que a guerra no Médio Oriente é a verdadeira causa dos problemas, ao anunciar a redução temporária do imposto energético sobre o gasóleo e a gasolina, no valor de cerca de 17 cêntimos por litro.

Anunciou também uma isenção fiscal para um subsídio de compensação de 1.000 euros que as empresas pretendam pagar aos funcionários.

A hipótese de um imposto sobre os lucros extraordinários do petróleo, defendida pelo ministro das Finanças, Lars Klingbeil, foi rejeitada por enquanto, com Merz a preferir “medidas ao abrigo do direito da concorrência e do direito fiscal”.

“O Estado não pode absorver todas as incertezas, todos os riscos, todas as perturbações da política mundial”, justificou.

Continue a ler após a publicidade

O fracasso das conversações em Islamabad foi seguido de um anúncio por parte do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre um bloqueio ao Estreito de Ormuz.

Trump ameaçou intercetar em águas internacionais qualquer navio que tenha pagado ao Irão para atravessar a passagem estratégica, uma postura criticada com dureza por Teerão.

As negociações entre as delegações lideradas pelo vice-presidente norte-americano, JD Vance, e pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, visavam um acordo de paz que terminasse a guerra em curso desde 28 de fevereiro.

A guerra foi desencadeada por uma ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando decorriam negociações entre Washington e Teerão sobre o programa nuclear iraniano.

O Irão respondeu à ofensiva com ataques contra Israel e bases norte-americanas nos países da região, e com o bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde circula um quinto dos produtos energéticos dos mercados mundiais.

A guerra terá causado mais de quatro mil mortos até sexta-feira, quando começou uma trégua para que se realizassem as conversações, segundo dados oficiais dos países afetados, alguns dos quais não podem ser verificados de forma independente.

O Irão e o Líbano registaram até agora a maioria das vítimas.

O conflito fez também subir os preços do petróleo nos mercados internacionais e criou o receio de uma crise inflacionária a nível global.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.