Irão exige indemnização aos EUA por bombardeamentos e promete que não será eliminado

Saeed Khatibzadeh, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, disse ao canal libanês Al-Mayadeen que “o Irão é uma civilização que não pode ser eliminada” e deixou um aviso a Donald Trump: “O que não foi alcançado pela agressão também não será conseguido através da diplomacia”.

Pedro Gonçalves
Junho 26, 2025
12:12

O Governo iraniano anunciou esta quinta-feira, que vai apresentar uma queixa formal junto das Nações Unidas contra os Estados Unidos, na qual exige uma compensação pelos danos causados nos seus complexos nucleares após a vaga de ataques coordenados por Washington e Telavive. A exigência surge num momento de elevada tensão no Médio Oriente, na sequência de uma ofensiva de 12 dias que resultou em destruição significativa de infraestruturas estratégicas do Irão.

Saeed Khatibzadeh, vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, disse ao canal libanês Al-Mayadeen que “o Irão é uma civilização que não pode ser eliminada” e deixou um aviso a Donald Trump: “O que não foi alcançado pela agressão também não será conseguido através da diplomacia”. A declaração sublinha o tom desafiante de Teerão perante a ofensiva norte-americana, que atingiu instalações nucleares altamente protegidas, como as localizadas em Natanz, Esfahan e Fordow.

As críticas iranianas surgem no rescaldo das declarações do diretor da informação nacional dos EUA, Tulsi Gabbard, que garantiu que os bombardeamentos resultaram na “destruição total” das três principais instalações nucleares iranianas. “Se o Irão quiser reconstruir, terá de o fazer a partir do zero, o que levará anos”, afirmou Gabbard na rede social X (antigo Twitter). A avaliação foi corroborada pela Comissão de Energia Atómica de Israel, que sustentou a tese da destruição quase completa do complexo de Fordow.

O impacto humano da ofensiva foi igualmente significativo. Segundo Hossein Kermanpour, porta-voz do Ministério da Saúde iraniano, os bombardeamentos provocaram 627 mortos e mais de 4.800 feridos, com o maior número de vítimas a registar-se em Teerão. “Deixo ao julgamento da consciência da humanidade as imagens das crianças e mães feridas que chegaram aos hospitais”, escreveu também Kermanpour na plataforma X.

Durante a cimeira da NATO em Haia, o presidente dos EUA, Donald Trump, comentou os resultados da operação militar, descrevendo-a como “uma tremenda vitória para todos, inclusive para o Irão”. Acrescentou ainda: “Eles têm um país, têm petróleo, são pessoas inteligentes e podem reconstruir… mas não vão fabricar bombas durante muito tempo.”

Apesar da escalada militar, tanto Washington como Teerão admitem o regresso à mesa das negociações. A última ronda de diálogo entre o enviado especial dos EUA, Steve Witkoff, e o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araghchi, estava agendada para 15 de junho, mas foi cancelada pelo Irão após o início dos bombardeamentos, que atribui a um ataque promovido por Israel com apoio norte-americano.

No plano político interno, o Irão enfrenta agora o desafio de responder ao sentimento de unidade nacional gerado pelos ataques, mas também à pressão de setores mais conservadores que pedem uma posição mais firme. Entretanto, persiste o debate sobre a permanência do país no Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), com várias vozes a defenderem o abandono do acordo como resposta àquilo que classificam de “instrumento de chantagem internacional”.

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