Os Emirados Árabes Unidos anunciaram hoje que as suas defesas aéreas intercetaram pelo segundo dia consecutivo mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro e drones lançados a partir do Irão, apesar do cessar-fogo entre Teerão e Washington.
Numa mensagem na rede social X, o Ministério da Defesa relatou que os seus sistemas antiaéreos estavam “a combater ataques de mísseis e drones originários do Irão”, relatando que foram escutados sons em várias partes do país em resultado da interceção dos projéteis iranianos.
Na segunda-feira, os Emirados informaram que foram intercetados 15 mísseis e quatro drones lançados a partir do Irão, que causaram três feridos.
Estes foram os primeiros ataques iranianos contra a nação do Golfo desde que o cessar-fogo entrou em vigor em 08 de abril.
O Irão não reivindicou oficialmente a responsabilidade pelos bombardeamentos, enquanto uma fonte militar citada pela televisão estatal iraniana afirmou que Teerão não tinha “planos prévios” para lançar ataques contra o país vizinho.
Desde o início da ofensiva aérea desencadeada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica, os Emirados intercetaram 549 mísseis balísticos, 29 mísseis de cruzeiro e 2.260 drones iranianos.
Ao todo, 13 pessoas morreram e 227 de cerca de 30 nacionalidades ficaram feridas na sequência destes ataques, que decorrem no âmbito da resposta de Teerão contra os países que albergam instalações militares norte-americanas, mas que atingiram também infraestruturas civis.
O Governo dos Emirados Árabes Unidos declarou na segunda-feira que se reserva ao “direito pleno e legítimo de responder” aos bombardeamentos, enquanto os países árabes e do Golfo expressaram apoio a quaisquer medidas que o país decida adotar.
O Presidente dos Emirados, Mohammed bin Zayed al-Nahyan, afirmou que vai continuar a reforçar as capacidades de defesa do país, face à alta instabilidade na região.
“O reforço das nossas capacidades de defesa continuará a ser um objetivo estratégico fundamental dentro da visão dos Emirados Árabes Unidos de um desenvolvimento abrangente e sustentável”, afirmou num discurso durante a comemoração do 50.º aniversário da unificação das forças armadas do país.
Esta visão, segundo o Presidente, visa garantir que as forças do pequeno país do Golfo Pérsico “permaneçam, como sempre foram, um escudo que protege, uma espada que dissuade e um baluarte” que “responde de forma decisiva e firme a qualquer ameaça à sua soberania”.
O secretário da Defesa dos Estados Unidos afirmou hoje que o cessar-fogo com o Irão se mantém em vigor, apesar dos recentes ataques atribuídos a Teerão contra alvos nos Emirados Árabes Unidos.
“O cessar-fogo não acabou”, disse Peter Hegseth, em conferência de imprensa, sublinhando que caberá ao Presidente norte-americano, Donald Trump, avaliar se uma eventual escalada configura uma violação do acordo.
O líder do Pentágono descreveu a operação “Projeto Liberdade”, lançada por Washington, como uma missão “defensiva e temporária”, destinada a proteger navios comerciais no golfo Pérsico face à “agressão iraniana”, aludindo ao bloqueio militar parcial de Teerão ao tráfego de navios mercantes no estreito de Ormuz.
Apesar dos esforços da mediação do Paquistão, Washington e Teerão não voltaram à mesa de negociações desde a primeira e única ronda negocial em 21 de abril.
Após o fracasso das conversações, Donald Trump ordenou um bloqueio naval aos portos iranianos numa tentativa de asfixiar a economia da República Islâmica.














