A empresa Allianz Trade, que atua na área de seguros de crédito de empresas, prevê que a guerra no Médio Oriente trave o crescimento global para 2,6% em 2026 e aumente a inflação nos Estados Unidos e zona euro.
As projeções fazem parte da análise “Economic Outlook 2026-27: The Fog of War”, cujas conclusões a empresa divulgou hoje numa nota à imprensa.
A empresa prevê que “o atual enquadramento se irá traduzir num crescimento mais moderado” em “condições financeiras mais restritivas” e numa “maior pressão sobre empresas e consumidores”.
A Allianz Trade antevê que o crescimento do comércio mundial abrande para 1,5%, que o crescimento global deste ano baixe 0,5 pontos percentuais em relação às estimativas anteriores, para 2,6%, e que a inflação acelere para 3,2% nos Estados Unidos da América e para 3,0% nos países da zona euro.
As previsões partem de um cenário em que “o conflito e as perturbações energéticas abrandam no espaço de três meses”.
A subida da inflação nos Estados Unidos e nos países que partilham a moeda única europeia, refere, reflete “sobretudo o impacto de preços mais elevados da energia”.
Em relação ao comércio mundial, o crescimento mais lento resulta de “o comércio internacional ser afetado de forma mais imediata e intensa por tensões geopolíticas, custos mais elevados de transporte e energia e perturbações nas cadeias de abastecimento”, explica a empresa.
A desaceleração é “um sinal adicional de enfraquecimento da atividade económica mundial”, afetado pela “fragmentação económica” e pelo “aumento das barreiras comerciais”, diz.
Tendo em conta que o conflito no Médio Oriente é não apenas um “choque energético”, mas “na sua essência” um “choque comercial”, a Allianz Trade “antecipa uma desaceleração “num contexto marcado pela escalada do conflito no Médio Oriente, pelo aumento das pressões inflacionistas e por uma maior incerteza geopolítica”.
Em relação a Portugal, prevê que “o crescimento do PIB deverá manter-se em 1,9% este ano, antes de abrandar para 1,4% em 2027, beneficiando ainda do dinamismo registado no final de 2025 e da execução dos fundos europeus, com Portugal a destacar-se como um dos países com maior capacidade de absorção do NextGenerationEU”.
Apesar disso, diz, “a subida dos preços da energia deverá traduzir-se numa aceleração da inflação para 2,6%, criando novos constrangimentos ao investimento e limitando o poder de compra das famílias nos próximos trimestres”.
Maddalena Martini, economista da Allianz Trade, citada na mesma nota, afirma que “em Portugal, as perspetivas para 2026 tornaram-se mais exigentes na sequência do choque energético, embora a economia continue a beneficiar de fatores de suporte, como o dinamismo recente e a execução dos fundos europeus”.
“Ainda assim, a subida dos preços da energia deverá traduzir-se numa aceleração da inflação e numa maior pressão sobre o consumo e o investimento”, vinca.










