Irão: Congresso norte-americano prepara-se para votar limites de Trump

O Congresso dos Estados Unidos prepara-se para votar esta semana iniciativas que visam limitar os poderes na guerra contra o Irão do Presidente norte-americano, Donald Trump, cujo Partido Republicano detém maioria nas duas câmaras parlamentares.

Executive Digest com Lusa

O Congresso dos Estados Unidos prepara-se para votar esta semana iniciativas que visam limitar os poderes na guerra contra o Irão do Presidente norte-americano, Donald Trump, cujo Partido Republicano detém maioria nas duas câmaras parlamentares.

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Perante um Presidente que expandiu o controlo do poder executivo sobre o legislativo desde o seu regressou à Casa Branca, em janeiro de 2025, alguns membros do Congresso insistem em reafirmar a autoridade dos representantes eleitos do único órgão autorizado pela Constituição a declarar guerra.

“Trump lançou uma guerra desnecessária, insensata e ilegal contra o Irão”, defendeu o senador democrata Tim Kaine na rede social X logo após o início do conflito, desencadeado no sábado com bombardeamentos dos Estados Unidos e Israel.

O senador apresentou uma resolução no final de janeiro a exigir que Donald Trump obtivesse autorização do Congresso para qualquer conflito com o Irão.

No sábado, apelou aos legisladores para “regressarem imediatamente” a Washington e votarem o seu texto.

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Num artigo de opinião publicado no The Wall Street Journal no domingo, Tim Kaine abordou o seu acesso a informações confidenciais devido ao seu papel nas comissões do Senado (câmara alta do Congresso) e afirmou que podia dizer “sem rodeios que não havia nenhuma ameaça iminente do Irão aos Estados Unidos” que justificasse o envio de norte-americanos para outra guerra no Médio Oriente.

A questão da “ameaça iminente” está no cerne do debate sobre a legalidade da declaração de guerra ordenada por Donald Trump.

Embora o Congresso seja o único órgão autorizado a declarar guerra, uma lei de 1973 permite ao Presidente norte-americano lançar uma intervenção militar limitada para responder a uma situação de emergência criada por um ataque contra os Estados Unidos.

O secretário da Defesa, Pete Hegseth, utilizou hoje em conferência de imprensa o termo “guerra” para descrever o conflito em curso com o Irão, e não simplesmente uma intervenção limitada.

No seu vídeo que anuncia a operação no sábado, Donald Trump referiu-se a uma ameaça “iminente”, que afirmou ser representada pela República Islâmica.

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Mas para Daniel Shapiro, do ‘think tank’ (grupo de reflexão) Atlantic Council, em Washington, o líder da Casa Branca “não explicou a urgência ou a ameaça iminente que justificava uma guerra naquele momento”.

“Normalmente, antes de lançarem operações de grande escala como estas, os presidentes e os seus principais conselheiros explicam ao povo norte-americano as razões pelas quais são necessárias grandes operações militares e o objetivo estratégico que procuram alcançar”, analisou Shapiro num memorando citado pela agência France-Presse (AFP).

É também habitual informar o Congresso, “para que os representantes do povo possam expressar as suas opiniões”, acrescentou.

Além de uma única reunião anterior aos ataques com destacados membros do Congresso nas áreas da defesa e informações, “o Presidente não fez nada disso”, segundo Shapiro.

A Casa Branca afirmou no domingo que tinha notificado oficialmente estes políticos pouco antes do início dos ataques.

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De acordo com a lei, o Presidente norte-americano precisa agora de obter autorização do Congresso se quiser continuar as hostilidades com o Irão por mais de 60 dias.

Voz rara no seu partido contra as políticas de Donald Trump, o republicano Thomas Massie condenou os ataques no sábado.

O congressista conservador anunciou que, juntamente com o seu colega democrata Ro Khanna, vai apresentar uma resolução na Câmara dos Representantes (câmara baixa) para “forçar uma votação no Congresso” sobre a guerra com o Irão.

“A Constituição exige uma votação, e o seu representante deve declarar formalmente a sua oposição ou apoio a esta guerra”, acrescentou.

Espera-se que a resolução de Tim Kaine seja votada no Senado esta semana, bem como uma possível votação na Câmara sobre a outra resolução.

Um grande número de parlamentares republicanos, que não querem limitar os poderes militares de Donald Trump, opõe-se a estas medidas.

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Mesmo que aprovadas pelo Congresso, as resoluções dificilmente sobreviveriam a um veto presidencial, uma vez que seria necessária uma maioria de dois terços em ambas as câmaras.

A administração de Donald Trump semeou a confusão com mensagens contraditórias e, por vezes, ambíguas sobre a operação militar em curso contra o Irão durante uma série de aparições públicas e entrevistas à comunicação social.

O Presidente norte-americano disse à estação CNN que a operação duraria cerca de quatro semanas, uma estimativa que posteriormente alargou durante um evento hoje na Casa Branca, a sua primeira aparição pública desde o início dos ataques.

“Seja qual for o tempo, está tudo bem. Faremos o que for preciso, como sempre fizemos desde o início. Estávamos a prever quatro a cinco semanas, mas temos capacidade para ir muito além disso”, declarou.

Por seu lado, o chefe do Estado-Maior Conjunto, Dan Caine, afirmou em conferência de imprensa no Pentágono (Departamento da Defesa) que as operações militares contra o Irão estão na sua fase inicial, “levarão algum tempo” e exigirão o envio de mais tropas para a região.

Ao seu lado, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou porém que uma guerra prolongada como as do Iraque (2003-2011) ou do Afeganistão (2001-2021) não se repetirá.

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“Esta não será interminável”, vaticinou.

Trump, que fez campanha em 2024 contra guerras “intermináveis” e cuja administração estava a negociar um acordo nuclear com Teerão nos dias anteriores ao conflito, manifestou o desejo de derrubar o regime iraniano.

No entanto, Hegseth afirmou hoje que “esta não é uma guerra para a mudança de regime”, embora tenha acrescentado que, como resultado da operação, “o regime mudou”.

Questionado pela CNN se o executivo está a ajudar o povo iraniano a retomar o controlo do país e a estabelecer uma mudança de regime, Trump respondeu “sim”, mas também reconheceu à estação ABC que não há um candidato claro para liderar a transição no país.

Sobre a possibilidade de negociar com uma nova liderança iraniana, o líder norte-americano declarou no domingo, em entrevista à revista The Atlantic, que está disposto a dialogar.

“Eles querem falar, e eu concordei em fazê-lo”, referiu, deixando assim a porta aberta para um cessar-fogo mais rápido.

Hoje o Presidente dos Estados Unidos avisou na CNN que ainda não foi lançada a grande vaga de ataques e que esta poderia vir “muito em breve”, admitindo, no entanto, que não esperava uma resposta tão contundente do Irão.

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Desde sábado, numerosos alvos dos países vizinhos do Golfo Pérsico, que albergam a presença militar norte-americana, foram bombardeados pela República Islâmica.

Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado uma série de ataques conjuntos contra o Irão, durante os quais o líder supremo, Ali Khamenei, no poder desde 1989, e vários elemento da liderança militar de Teerão foram mortos.

O Irão jurou vingar a morte de Khamenei e, até à data, atacou Israel, os Emirados Árabes Unidos, o Qatar, o Bahrein e o Kuwait, entre outros parceiros dos Estados Unidos que acolhem bases militares norte-americanas.

Enquanto o Presidente norte-americano afirmou que a operação iniciada no sábado visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial” ao seu país.

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