O ‘think tank’ Chatham House considera, segundo uma análise publicada hoje, que Pequim está a adotar uma estratégia “calculada” perante a escalada entre EUA, Israel e Irão, procurando preservar influência regional sem confronto direto, num “jogo de longo prazo”.
Na análise, o centro de estudos britânico sustenta que Pequim procura “manter o status quo” com o Irão, evitando compromissos que a arrastem para uma confrontação direta, ao mesmo tempo que protege os seus interesses estruturais na região.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado ataques contra o Irão, que Washington afirmou visar “eliminar ameaças iminentes”. Teerão retaliou com mísseis e veículos aéreos não tripulados (‘drones’) contra bases norte-americanas e alvos israelitas na região.
O agravamento do conflito ocorre num momento particularmente sensível, após a confirmação da morte do líder supremo iraniano, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei.
De acordo com o Chatham House, Pequim procura “evitar ser arrastada diretamente para o confronto”, optando por uma postura “calculada” que lhe permita manter canais abertos com todas as partes.
Pequim pretende, em particular, impedir que a escalada comprometa os seus interesses energéticos e comerciais, num contexto em que o Irão continua a ser um parceiro relevante, mas não insubstituível.
O relatório destaca que a China está mais interessada em “moldar o equilíbrio estratégico de longo prazo” do que em obter ganhos imediatos num cenário de conflito.
Pequim é atualmente o maior comprador de petróleo iraniano, muitas vezes através de canais indiretos que contornam sanções internacionais. Em 2021, assinou com Teerão um acordo de cooperação estratégica de 25 anos. O Chatham House enfatiza que esta relação não implica alinhamento automático em caso de guerra.
O grupo de reflexão acrescenta que a prioridade chinesa continua a ser a estabilidade regional, essencial para a segurança energética e para a proteção das rotas comerciais associadas à Iniciativa Faixa e Rota, o gigantesco projeto internacional de infraestruturas lançado por Pequim.
A análise observa ainda que um envolvimento prolongado norte-americano no Médio Oriente pode ter implicações estratégicas mais amplas, ao dispersar recursos e atenção de Washington, numa altura em que a China tenta afastar os Estados Unidos da sua periferia, adotando uma postura mais assertiva face a Taiwan e ao mar do Sul da China, que reivindica quase na totalidade.
Pequim aposta numa estratégia de paciência e flexibilidade, mantendo “margem de manobra” enquanto a crise evolui, destaca o texto.












