O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi, manteve na quarta-feira contactos com homólogos da China e do Japão e com o chefe do Exército do Paquistão, nas vésperas de possíveis novas negociações com Washington.
Araqchi falou com o ministro dos Negócios Estrangeiros chinês, Wang Yi, que afirmou, numa conversa telefónica, que a atual situação entrou numa “fase crítica de transição da guerra para a paz”, abrindo “uma janela de oportunidade”.
Wang indicou que a China apoia a manutenção do cessar-fogo e das negociações, o que “serve o interesse fundamental do povo iraniano e corresponde à expectativa comum dos países da região e da comunidade internacional”, segundo um comunicado da diplomacia chinesa.
“A China está disposta a continuar a promover a distensão e a melhoria das relações entre os países da região”, acrescentou, sublinhando que Pequim pode “desempenhar um papel construtivo para alcançar paz e estabilidade duradouras no Médio Oriente”.
A China, principal parceiro comercial do Irão, tem condenado a guerra desde a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra Teerão, em 28 de fevereiro, mas ambas as partes têm evitado comentar o alegado apoio chinês.
Araqchi manteve também uma conversa com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Japão, Toshimitsu Motegi, que destacou ser “fundamental” preservar o cessar-fogo e pôr fim ao conflito, incluindo a garantia da segurança da navegação no estreito de Ormuz.
Tóquio considerou “muito significativo” manter uma comunicação fluida com o Irão e indicou que o Governo da primeira-ministra, Sanae Takaichi, tem mantido contactos com os países envolvidos e mediadores.
Araqchi apelou à comunidade internacional para adotar uma abordagem responsável que evite o agravamento da situação, referindo-se à “insegurança gerada em Ormuz” como consequência direta da ofensiva dos Estados Unidos e de Israel.
O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, deslocou-se a Teerão para contactos de alto nível sobre a retoma das negociações.
A visita surge num contexto de intensificação dos esforços para levar novamente Estados Unidos e Irão à mesa de negociações, após o fracasso do primeiro encontro, que decorreu durante 21 horas na capital paquistanesa.
Uma segunda ronda de contactos diretos deverá realizar-se no início da próxima semana.
Islamabade surge como principal opção para acolher as conversações, embora Genebra se mantenha como alternativa técnica, com o Paquistão a assumir um papel de mediador ativo.
O esforço diplomático inclui uma digressão regional do primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, pelo Golfo e Turquia, visando alcançar um acordo antes do fim da trégua no Estreito de Ormuz, previsto para 22 de abril.












