Irão: Cessar-fogo deve incluir Líbano para ser “credível e duradouro” – Macron  

O Presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou hoje aos homólogos norte-americano e iraniano que o cessar-fogo que estes acordaram deve, para ser “credível e duradouro”, incluir o Líbano, que continua sob ataque israelita. 

Executive Digest com Lusa

O Presidente francês, Emmanuel Macron, manifestou hoje aos homólogos norte-americano e iraniano que o cessar-fogo que estes acordaram deve, para ser “credível e duradouro”, incluir o Líbano, que continua sob ataque israelita. 


“Manifestei a minha esperança de que o cessar-fogo seja plenamente respeitado por cada um dos beligerantes, em todas as áreas de confronto, incluindo no Líbano. Esta é uma condição necessária para que o cessar-fogo seja credível e duradouro”, afirmou Macron na rede social X, após conversas telefónicas com os homólogos iraniano, Massoud Pezeshkian, e norte-americano, Donald Trump. 


“Disse a ambos que a decisão de aceitar um cessar-fogo foi a melhor possível. Deverá abrir caminho para negociações abrangentes capazes de garantir a segurança de todos no Médio Oriente”, adiantou. 


Qualquer acordo, segundo Macron, terá de abordar as preocupações com os programas nucleares e de mísseis balísticos do Irão, bem como com a sua política regional e as suas “ações que bloqueiam a navegação pelo Estreito de Ormuz”. 


“É assim que se pode construir uma paz forte e duradoura, com o apoio de todos aqueles que para ela podem contribuir”, adiantou.  

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Também hoje, Macron manteve contactos com os líderes do Qatar, dos Emirados Árabes Unidos, do Líbano e do Iraque.  


O primeiro dia de um cessar-fogo de duas semanas no conflito desencadeado em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica foi manchado por bombardeamentos israelitas em grande escala no Líbano, que provocaram pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos, segundo o último balanço das autoridades de Beirute.


Os ataques intensivos na capital do Líbano e no sul e leste do país, justificados por Israel com as suas ações militares contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão, levaram as autoridades iranianas a restabelecer o bloqueio parcial do Estreito de Ormuz, que tinha sido levantado no âmbito da trégua.

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Segundo a agência Fars, o Irão permitiu a passagem de dois petroleiros “sem incidentes” pelo estreito na manhã de hoje, antes dos bombardeamentos em grande escala no Líbano, que Israel e Trump dizem ter ficado excluído do acordo, embora o Paquistão, país mediador, tenha afirmado inicialmente o contrário. 


A interrupção das hostilidades pretende igualmente abrir espaço para negociações entre as partes, que deverão ser lideradas do lado de Teerão pelo Presidente iraniano, mas, de acordo com o The Wall Street Journal, a República Islâmica está a condicionar a sua participação à aplicação da trégua no Líbano.


A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt disse que Donald Trump vai continuar as discussões com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sobre o Líbano, bem como “todas as partes envolvidas” sobre o reatamento do conflito entre Israel e o Hezbollah, em paralelo com a guerra no Irão.


“Mas, neste momento, o país não está incluído no acordo de cessar-fogo”, reforçou.


Segundo a porta-voz da Casa Branca, o Irão apresentou aos Estados Unidos um novo plano de paz, diferente da proposta de 10 pontos que tinha enviado no início desta semana.

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“Inicialmente, os iranianos apresentaram um plano de 10 pontos que era fundamentalmente leviano, inaceitável e foi completamente rejeitado. Foi, literalmente, deitado para o lixo pelo Presidente Trump e pela sua equipa de negociação”, relatou.


Posteriormente, Teerão enviou “um plano mais razoável, totalmente diferente e condensado”, que Washington recebeu como “um base viável para negociações” e conciliável com a sua própria proposta de 15 pontos, de acordo com a porta-voz da presidência, sem fornecer detalhes. 


O Presidente iraniano, Massoud Pezeshkian, afirmou hoje que um cessar-fogo no Líbano é uma das “condições essenciais” estabelecidas pelo Irão no seu plano de dez pontos, base para a trégua com os Estados Unidos.


Após a conversa telefónica com Emmanuel Macron, Pezeshkian “enfatizou a necessidade de um cessar-fogo no Líbano e reiterou que esta exigência era uma das condições essenciais do plano de dez pontos do Irão”, segundo a agência de notícias ISNA.adiantou a mesma fonte.  


Também hoje, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, declarou que as violações de vários pontos-chave do plano do Irão para negociar o fim do conflito com os Estados Unidos inviabilizam um cessar-fogo bilateral ou negociações.


“A base sólida sobre a qual se pode negociar foi aberta e claramente violada, mesmo antes do início das negociações. Perante esta situação, um cessar-fogo bilateral ou negociações são inviáveis”, afirmou Qalibaf na rede social X.  


Segundo o dirigente da República Islâmica, em primeiro lugar foi violada a cláusula referente ao cessar-fogo no Líbano, explicitamente mencionada pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, mediador entre as partes, quando falou em declarar “um cessar-fogo imediato em todos os lugares, incluindo o Líbano e outras regiões”. 


 


PDF (HB)// RBF


Lusa/Fim


 

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